Obrigações Juros da dívida grega atingem mínimo de 2006

Juros da dívida grega atingem mínimo de 2006

Os juros da dívida grega a dez anos estão em mínimos de 13 anos no dia em que a Moody's poderá pronunciar-se sobre o rating da Grécia.
Tiago Varzim 01 de março de 2019 às 13:08
A expectativa de que a Moody's possa melhorar a notação financeira atribuída à Grécia está a beneficiar a negociação da dívida no mercado secundário. Os juros a dez anos tocaram num mínimo de 2006 esta sexta-feira, 1 de março.

A taxa de juro da dívida grega a dez anos está a aliviar 1,2 pontos base para os 3,652%, mas na sessão de hoje já atingiu os 3,648%. Há cinco sessões consecutivas a descer, os juros tocaram no nível mais baixo desde janeiro de 2006, que iguala o mínimo atingido em janeiro de 2018.
A negociação em mercado secundário estará a antecipar a melhoria do rating por parte da Moody's, que atualmente classifica a dívida grega como sendo de "investimento especulativo" (também conhecido como uma notação financeira de "lixo") com um outlook positivo - o que pode sinalizar uma subida nos próximos 12 meses.

O calendário é indicativo e, por isso, no limite, pode não haver nenhuma comunicação ao mercado. 

Mas a expectativa positiva existe: "Uma melhoria de um nível parece ser provável hoje dado que a última decisão sobre o rating tem um ano e a Grécia provou a sua capacidade de acesso ao mercado com a emissão de dívida de cinco anos", antecipa o analista Christoph Rieger à Bloomberg.

Na opinião do analista, os juros abaixo de 3,7% são uma oportunidade para uma nova emissão sindicada de dívida a 10 anos "já na próxima semana". 

Segundo a Bloomberg, a última operação que envolveu dívida a dez anos da Grécia foi uma troca de obrigações de 5,94 mil milhões de euros em novembro de 2017.

Na primeira emissão após a saída da troika, o país pagou um juro de 3,6% em títulos a cinco anos, tendo emitido 2,5 mil milhões de euros.

Apesar de estar fora do programa de ajustamento desde agosto do ano passado, o Governo grego é monitorizado de perto a cada trimestre. Os credores estão preocupados com os atrasos nas reformas e também mostram reservas quanto à subida do salário mínimo para 650 euros. 

Certo é que a Grécia terá de continuar a registar saldos primários (excluindo o serviço da dívida) na ordem dos 3,5% do PIB. Na quarta-feira, questionado pelos jornalistas gregos sobre a possibilidade de o país ter um excedente orçamental primário mais baixo do que 3,5%, Pierre Moscovici foi direto: "Os compromissos têm de ser respeitados".

O comissário rejeitou a hipótese de que esse tema esteja a ser debatido dentro da Comissão Europeia, tendo notado que, em 2018, esse compromisso foi respeitado e que, ao mesmo tempo, foi possível evitar a implementação de mais cortes nas pensões dos reformados gregos.
 
Segundo a Comissão Europeia, a Grécia deverá crescer 2,2% este ano, acelerando face a 2018.



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