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Natixis: Não há justificação para o elevado nível das taxas de juro em Portugal

A casa de investimento analisou Portugal, Espanha, Itália e França e conclui que não há justificações para que Lisboa tenha taxas de juro tão elevadas face aos outros países. Portugal só perde num factor: tem pouca dívida emitida no mercado.

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Reuters
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 21 de Março de 2017 às 16:03
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"Os ‘spreads’ da dívida de França, Espanha, Itália e Portugal contra a Alemanha estão a subir. Mas as taxas de juro começaram a subir muito mais cedo e de uma forma muito mais pronunciada em Portugal do que nos outros países", realça a Natixis numa nota de análise publicada esta terça-feira, 21 de Março.

 

E com base nesta conclusão, a Natixis coloca uma questão: "Será a subida das taxas de juro portuguesas um sinal do que está para vir para a França, Espanha ou Itália? Ou há características específicas em Portugal que expliquem porque é que as taxas de juro subiram mais do que noutros países?"

 

Actualmente a taxa de juro da dívida a 10 anos de Portugal encontra-se acima de 4,1%, com o prémio de risco face às bunds com a mesma maturidade a ser superior a 370 pontos base, tendo chegado a superar os 400 pontos.

 

Já a taxa francesa está pouco acima de 1%, o que coloca o "spread" nos 63 pontos, já que os juros da Alemanha negoceiam em torno dos 0,4%. A taxa exigida no mercado secundário para comparar dívida a 10 anos de Espanha é inferior a 1,8% e de Itália ronda os 2,3%, o que coloca os prémios em torno dos 130/180 pontos base.

 

Para tirar conclusões sobre se há especificidades em Portugal, a Natixis analisou várias questões comparando os quatro países: a balança da conta corrente, o potencial de crescimento, a solvência orçamental, a dimensão da dívida, se o país é "demasiado grande para cair" e as compras de dívida do BCE.

 

"A resposta é não: não há características fundamentais em Portugal que possam explicar o elevado nível das taxas de juro de longo prazo. Por isso, pode ser um caso ou de efeito da dimensão da dívida ou um equilíbrio" do mercado. "Não encontrámos nenhuma razão fundamental para que as taxas de juro de longo prazo de Portugal estejam mais alta, a não ser a baixa liquidez do mercado", salienta a casa de investimento na nota. 

As conclusões da Natixis

Potencial de crescimento
O potencial de crescimento de Portugal "é baixo, assim como o dos outros países".

Contas públicas
"A solvência orçamental tem sido assegurada recentemente" em Portugal, com o banco de investimento a contabilizar um défice inferior a 3% do produto interno bruto (PIB) em 2016 e 2017. Já nos outros três países analisados, a conclusão é oposta.

Dívida
Portugal tem uma dívida "pequena", em montante, quando comparado com França, Espanha e Itália. Ascende a cerca de 241 mil milhões de dólares, o que poderá levar a "pouca liquidez" e deixa o país de fora do grupo dos "demasiado grandes para cair" em relação aos outros estados. Itália e França têm um montante total de dívida que supera, em ambos os casos, os dois biliões de dólares. Já em Espanha o valor é um pouco superior a um bilião.  

Balança da conta corrente
"Um défice externo costuma aumentar o prémio de risco da dívida. Portugal tem um excedente."

Compras do BCE
Se o banco central tiver comprado, "em termos relativos" menos dívida de Portugal do que dos outros países, pode explicar as taxas de juro mais elevadas do país. Mas os números mostram que esta premissa está errada, já que o BCE detém cerca de 10% da dívida portuguesa. Espanha lidera, com 13%, seguida de França, com 11%. Itália surge no final da tabela: 9,3%.

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