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Portugal regressa às taxas negativas nas emissões a 12 meses

A yield na emissão de bilhetes do Tesouro a 12 meses ficou em -0,351%

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 20 de Maio de 2020 às 10:40
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O IGCP realizou hoje um duplo leilão de dívida de curto prazo, colocando um total de 1,75 mil milhões de euros, um valor bem acima do habitual.

 

Em bilhetes do Tesouro a 12 meses (maturidade em 21 de maio de 2021) foram colocados mil milhões de euros, com uma taxa de -0,351%. Portugal volta assim financiar-se a taxas negativas a 12 meses, depois de no leilão de abril a yield ter sido positiva (0,038%) pela primeira vez em três anos.

 

A taxa obtida pelo IGCP é mesmo mais favorável do que a registada em março, quando Portugal se financiou em 405 milhões de euros a 12 meses com uma "yield" de -0,101%. No leilão de fevereiro a taxa ficou em -0,484%.

 

Acresce que esta terá sido uma das emissões de maior volume a 12 meses e a procura foi robusta, superando os 3 mil milhões de euros, ou seja, 3,02 vezes acima da oferta.

 

O IGCP colocou ainda 750 milhões de euros em títulos com maturidade em 20 de novembro de 2020 (seis meses), com uma taxa de -0,411%. Esta compara com a taxa de -0,089% no leilão de março e de -0,487% no leilão de fevereiro. A procura também foi positiva, superando a oferta em 2,69 vezes.

 

A descida dos custos de financiamento de Portugal nas emissões de curto prazo está em linha com o comportamento dos títulos no mercado secundário, que registaram um alívio considerável devido à resposta europeia de caminhar para a criação de um fundo de recuperação de 500 mil milhões de euros com subvenções a fundo perdido para os países fazerem face aos efeitos da pandemia.

 

A taxa de juro dos títulos a 10 anos recuou ontem para mínimos de março e afastou-se do pico superior a 1% fixado em abril.

Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, assinala que "os países da periferia e em particular Portugal, têm vindo a beneficiar dos planos de compra de ativos, bem como do alívio das condições dos mesmos por parte do Banco Central Europeu". Acrescenta que além deste efeito, "Portugal tem sido bem visto internacionalmente pela forma como tem lidado com o vírus, e são estes fatores combinados que têm permitido dar mais confiança aos investidores e como consequência uma redução do prémio de risco de Portugal".

 

O montante colocado pelo IGCP quase duplicou o montante habitual dos leilões de curto prazo do instituto que gere a dívida do Estado, que costumam oscilar entre 750 e 1.250 milhões de euros.

 

Logo depois do início da pandemia, o IGCP anunciou um reforço do programa de financiamento deste ano, para dar resposta ao acréscimo das necessidades de financiamento do Estado.

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