Obrigações Portugal emite dívida a dez anos com a taxa mais elevada desde 2014

Portugal emite dívida a dez anos com a taxa mais elevada desde 2014

Portugal regressou ao mercado esta quarta-feira, tendo emitido 1.215 milhões de euros em títulos a cinco e dez anos. Uma dupla operação na qual o Tesouro pagou juros mais elevados, algo que os analistas justificam com a maior percepção de risco em relação ao país.
Portugal emite dívida a dez anos com a taxa mais elevada desde 2014
Miguel Baltazar/Negócios
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) emitiu um total de 1.215 milhões de euros em dívida a cinco e dez anos. O objectivo era colocar entre 1.000 e 1.250 milhões de euros. Os juros pagos superaram os de emissões comparáveis anteriores e a procura ficou abaixo também das operações anteriores.

Portugal colocou 594 milhões de euros em títulos de dívida com maturidade em Abril de 2021. Pagou uma taxa de juro de 2,0326%, o que compara com os 1,4232% pagos na emissão anterior realizada a 22 de Julho do ano passado. A procura superou a oferta em 1,54 vezes, ao passo que este rácio tinha sido de 1,89 vezes na operação anterior.

Além disso, o IGCP emitiu também dívida com maturidade em Julho de 2026. Colocou um total de 621 milhões de euros. A taxa de juro da operação situou-se nos 3,138%, superando os 2,4294% registados na operação de 25 de Novembro. Esta é mesmo a taxa mais elevada desde Novembro de 2014. Já a procura superou a oferta em 1,6 vezes, ficando aquém do rácio de 1,91 vezes registado na operação anterior.

Apesar de estes resultados ficarem muito aquém dos obtidos nas últimas operações equivalentes, estão praticamente em linha com o registado no mercado secundário. É que a taxa das obrigações do Tesouro a cinco anos avança 3,0 pontos base para 2,054%, ao passo que a "yield" dos títulos a dez anos recua 2,0 pontos para 3,145%.

Esta dupla operação acontece na véspera de mais uma reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Um encontro no qual, antecipam os analistas, Mario Draghi deverá apresentar um novo conjunto de estímulos à economia. Entre as medidas apontadas está mais um corte na taxa de depósitos, actualmente em -0,3%, bem como um aumento e um prolongamento das compras de activos, além dos actuais 60 mil milhões de euros previstos durar até Março de 2017.

Resultados reflectem maior risco

 

"A subida nos juros da dívida é um movimento que vem desde o momento da preparação do orçamento do Estado", nota Filipe Silva, quando decorriam as negociações entre o Governo e Bruxelas. O director da gestão de activos do Banco Carregosa aponta que os resultados alcançados esta quarta-feira ficaram "em linha com o que está a ser praticado no mercado". E defende que "o país continua a conseguir colocar dívida sem qualquer problema, mantendo a procura constante".

 

Já Pedro Ricardo Santos afirma que "os valores revelam a crescente percepção de risco por parte dos mercados". Algo que, explica o gestor da XTB, leva a que os investidores exijam "uma maior remuneração para emprestar" a Portugal. Até porque, conclui, as exigências de Bruxelas "alimentam receios de que mais austeridade fragilize o acordo das esquerdas parlamentares".

(Notícia actualizada às 12:43, com comentários dos analistas)



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