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S&P sobe "rating" de Portugal para três níveis acima de lixo

A agência de notação financeira Standard & Poor’s reviu em alta a classificação da dívida soberana, tendo mantido o "outlook" estável.

PIB de Portugal
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 09 de Setembro de 2022 às 21:05
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A Standard & Poor’s elevou esta sexta-feira o rating da dívida soberana de Portugal em um degrau, de BBB para BBB+, que corresponde a três níveis acima de "lixo" – ou seja, está no antepenúltimo nível da categoria de investimento de qualidade.

 

Quanto à perspetiva (outlook) para a evolução da qualidade da dívida, a S&P manteve-a ‘estável’.

 

A agência, recorde-se, foi a primeira das três grandes a retirar Portugal da categoria de investimento especulativo, ao melhorar a avaliação do país em setembro de 2017 para um nível acima de "junk". E agora é também, de entre as três maiores, a recolocar a República neste patamar. Já a canadiana DBRS colocou a dívida soberana de Portugal, há duas semanas, em A (llow), o sétimo nível mais elevado (há 11 anos que o país não estava no clube dos A).

 

A justificar a decisão de hoje da Standard & Poor’s estão os "sólidos resultados orçamentais e de crescimento, ancorados no financiamento da União Europeia", refere a agência no relatório divulgado.

"Apesar da subida dos custos da energia e do aumento das taxas de juro, Portugal continua a registar sólidos resultados no que diz respeito ao crescimento, ao mercado laboral e à situação orçamental, prevendo-se um aumento do investimento com os esperados 61,2 mil milhões (26% do PIB) em financiamento da UE entre 2022 e 2027", sublinha.

A S&P considera também que a maioria absoluta do partido no governo "reduz a incerteza em torno da implementação das reformas orçamentais e estruturais previstas no Programa de Estabilidade e no Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal".

Além disso, "esperamos que Portugal registe um excedente orçamental primário (excluindo o pagamento de juros) em 2022, colocando o rácio da dívida face ao PIB numa trajetória descendente mais acentuada do que a dos seus pares".

A agência estima que "a forte coleta fiscal em 2022, impulsionada pelo maior crescimento e subida da inflação e pela prudência do governo em matéria de gastos, colocará o défice de Portugal abaixo da sua meta de 1,9% do PIB este ano e em equilíbrio em 2025".

Na terça-feira, Fernando Medina atualizou uma parte significativa do cenário macroeconómico que não deverá estar muito distante dos números que a equipa das Finanças deverá inscrever no Orçamento do Estado para 2023. Está previsto que o défice se mantenha em 1,9% do PIB, resultado do crescimento mais robusto da atividade económica – e crê-se que só não será mais curto por causa do pacote de medidas anti-inflação que vale cerca de 1% do PIB.



(notícia atualizada às 22:32)

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