Juros da dívida portuguesa voltam a agravar-se
Pelo segundo dia consecutivo, as taxas de juro (“yields”) associadas aos títulos de dívida pública portuguesa voltaram hoje a subir – e de forma mais expressiva e simultaneamente singular no contexto dos países da chamada periferia da Zona Euro.
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Na maioria dos prazos, as taxas de rendibilidade subiram face à sessão de ontem mais de 20 pontos base, superando os 30 pontos no caso dos títulos a três anos. A três e cinco anos, as “yields” respectivas estão agora de novo acima dos patamares de 4% (4,35%) e de 5% (5,24%). A dez anos, a subida é menos expressiva: 8,6 pontos para 6,460%, o que, ainda assim, traduz a rendibilidade mais baixa desde finais de Dezembro de 2010.
A evolução destes indicadores, que fornecem uma aproximação ao custo que o Estado português se financiaria hoje nos mercados financeiros, sugere que Portugal não terá beneficiado da operação bem sucedida de colocação de dívida hoje realizada pela Irlanda, na que foi a primeira emissão de mais longo prazo desde que, em Novembro de 2010, o país pediu assistência financeira à União Europeia e FMI.
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O Tesouro irlandês colocou 2,5 mil milhões de euros em títulos de dívida com maturidade em Outubro de 2017 (quase cinco anos), com a procura quase triplicar a oferta e uma taxa de rendibilidade implícita de 3,35%. Esta taxa é inferior à média subjacente à dívida contratada antes do resgate (4,7%), e fica próxima, mas ainda acima, do juro pedido pela parte europeia nos empréstimos da troika (3,1% e 2,5%, consoante os fundos de resgate, MEEF e FEEF).
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A operação, que traduz um passo decisivo para um pleno regresso aos mercados, foi qualificada de “sucesso” pelo Governo irlandês e pelos analistas. Em declarações à Reuters, Owen Callan do Danske Bank (um dos bancos envolvidos na operação) considerou que estes resultados revelam que os “investidores acreditam na história da recuperação irlandesa”.
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