IGCP alivia pagamento de dívida de curto prazo em 1.748 milhões de euros
O instituto liderado por Cristina Casalinho realizou esta quarta-feira um leilão de troca de dívida. Com esta operação, o IGCP reduziu a dívida a pagar em 2015 e 2016, aumentando os encargos para 2021 e 2023.
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) concluiu esta quarta-feira, 26 de Novembro, um leilão de troca de dívida de curto prazo por dívida com maior maturidade. Nesta operação, o instituto liderado por Cristina Casalinho (na foto) aliviou em 1.748 milhões de euros o pagamento de dívida em 2015 e 2016.
Após a realização de um leilão de bilhetes do Tesouro e de um de obrigações do Tesouro este mês, o IGCP voltou esta semana ao mercado. Desta feita, o instituto responsável pela gestão da dívida pública procurou juntos dos investidores reduzir a dívida com maturidade em 2015 e 2016, oferecendo em contrapartida obrigações com vencimento em 2021 e 2023, aumentando, assim, os encargos nestas maturidades.
Neste leilão de troca de dívida, o IGCP comprou no mercado 240 milhões de euros de obrigações do Tesouro (OT) na linha com vencimento em Outubro de 2015. Já em relação a 2016, o instituto comprou 553 e 955 milhões de euros em OT com maturidade em Fevereiro e Outubro desse ano.
Em contrapartida, foram emitidos pelo IGCP 943 milhões de euros numa linha de OT a vencer em Abril de 2021, além de 805 milhões de euros também em OT, mas desta feita com maturidade em Outubro de 2023. Desta forma, o instituto liderado por Cristina Casalinho reduziu em 1.748 milhões de euros o pagamento de dívida em 2015 e 2016, atrasando estes reembolsos para 2021 e 2023.
A última vez que Portugal realizou uma oferta de troca foi em Dezembro de 2013. Nessa altura, os investidores aceitaram trocar mais de 6,6 mil milhões de euros em dívida que vencia em 2014 e 2015 por títulos que serão reembolsados em 2017 e 2018. Na altura, a operação foi lida como uma questão que afastava a necessidade de um segundo resgate financeiro externo.
Desta vez, o objectivo passará por conseguir reembolsar parte do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) mais cedo que o previsto, poupando, assim, nos encargos com os juros. Diversos analistas têm já apontado esta possibilidade, depois de a Irlanda - o primeiro país a concluir o programa de assistência financeira – ter feito este mesmo pedido.
No mercado secundário, os juros da dívida soberana portuguesa seguem esta quarta-feira a cair em quase todas as maturidades, num dia de tendência mista na Europa. A "yield" de Portugal a 10 anos recua 1,4 pontos-base para 2,910%, tendo já negociado nos 2,906%, igualando o valor mais baixo de sempre registado na sessão de terça-feira.
(Notícia actualizada às 11h51)