Ameaça da S&P atenua descida dos juros da dívida portuguesa
Os juros da dívida portuguesa estão a recuar em todas as maturidades, ainda que menos que no resto da Europa. A decisão da Fed de manter os estímulos, ou seja, a compra mensal de obrigações no valor de 85 mil milhões de dólares, que apanhou de surpresa os economistas, está na base desta descida generalizada das taxas.
Contrariando as expectativas do mercado e dos economistas, a Fed decidiu manter em 85 mil milhões de dólares o ritmo mensal de compra de activos, o que está a causar nesta quinta-feira uma subida generalizada das bolsas por todo o mundo, com muitas destas a atingirem máximos.
A taxa de juro implícita às obrigações portuguesas a 10 anos recua 5,9 pontos base para se fixar nos 7,119%, um valor ainda distante dos 6,7% registados no início de Setembro, de acordo com as taxas genéricas disponibilizadas pela Bloomberg.
Nas restantes maturidades a tendência é semelhante. A “yield” das obrigações a cinco anos recua 2,7 pontos base, para 6,571% e a “yield” das obrigações a dois anos recua 9,8 pontos base, fixando-se nos 5,526%.
Lá fora, a “yield” das obrigações de Espanha, a 10 anos, cai 16,2 pontos base para 4,241%, um movimento que é semelhante ao da taxa de juro implícita italiana, para a mesma maturidade, que recua 16,9 pontos base para 4,230%. Em França a taxa a 10 anos desliza 14 pontos base para 2,368%.
Na Alemanha a queda dos juros a 10 anos é um pouco menor, de 12,7 pontos base para 1,874%, ainda assim, um recuo muito mais significativo que o da “yield” portuguesa. Dste modo o "spread" da dívida pública portugues está esta manhã a agravar-se.
Na Irlanda, a taxa de juro implícita a 10 anos é aquela que regista um recuo mais próximo da portuguesa, ao cair 9,2 pontos para 3,917%.
A limitar a queda dos juros da dívida está a ameaça de corte no “rating” de Portugal por parte da Standard & Poor’s, ao colocar a notação financeira em "vigilância negativa". A S&P manteve o "rating" do País em "BB", dois níveis abaixo do patamar considerado de "lixo" e a perspectiva manteve-se em "negativa", de acordo com uma nota de análise divulgada esta quarta-feira.
A S&P explica que “nos próximos meses” pode haver novo corte caso o desempenho orçamental desaponte, os planos de reformas não se concretizem ou caso as tensões políticas aumentem e atrasem o Orçamento de 2014. A contribuir para maior incerteza esteve o chumbo do TC e a crise política.
“Decidimos colocar o ‘rating’ de Portugal sob vigilância negativa. Podemos baixar o ‘rating’ nos próximos meses se o desempenho orçamental ficar aquém do estimado, os planos de reforma falharem, o apoio oficial [BCE, FMI e Comissão Europeia] comece a faltar ou se as tensões políticas aumentarem e levarem a atrasos no orçamento do Estado de 2014 ou nas revisões” do programa de ajustamento português, explica a agência de notação financeira.