Juros portugueses contrariam alívio na Europa depois da S&P ameaçar cortar “rating”
As taxas de juro implícitas nas obrigações portuguesas já inverteram a tendência e seguem a subir na maioria dos prazos. No resto da Europa a tendência é oposta, com as taxas a descerem, a beneficiarem da decisão da Reserva Federal (Fed) sobre a manutenção dos estímulos económicos. Já Portugal está a ser penalizado pela ameaça de corte de “rating” por parte da S&P.
As taxas de juro implícitas nas obrigações portuguesas estão a subir, ainda que a valorização seja ligeira, nos prazos mais longos. Já nos mais curtos (de dois a quatro anos) a tendência é de queda ligeira.
Assim, a taxa a dois anos desce 1,3 pontos base para 5,610%, enquanto a “yield” a cinco anos avança 0,1 pontos para 6,60%. O juro das obrigações a 10 anos está a subir 1,4 pontos para 7,192%.
Este comportamento dos juros portugueses está a ser oposto ao do resto da Europa, estando a ser penalizados pelo relatório divulgado na quarta-feira, 18 de Setembro, pela S&P, onde a agência de notação financeira ameaça cortar o “rating” do país, que já se encontra dois níveis abaixo de “lixo”.
A S&P explica que “nos próximos meses” pode haver novo corte caso o desempenho orçamental desaponte, os planos de reformas não se concretizem ou caso as tensões políticas aumentem e atrasem o Orçamento de 2014. A contribuir para maior incerteza esteve o chumbo do TC e a crise política. A decisão de corte, ou não, do “rating” português deverá ser anunciada nos próximos 90 dias.
A atenuar o comportamento das taxas de juro portuguesas está a decisão da Fed em manter o programa de compra de obrigações nos 85 mil milhões de dólares por mês. É, aliás, esta decisão que está a determinar a queda dos juros das obrigações dos restantes países europeus, com a Alemanha a ser a mais beneficiada.
O presidente da Fed, Ben Bernanke, revelou que a autoridade decidiu manter o programa de estímulos económicos inalterado, quando os economistas previam que fosse anunciado um corte entre 10 e 15 mil milhões de dólares. O anúncio teve impacto nos mercados, levando as bolsas dos EUA para máximos históricos, as europeias para níveis de há cinco anos e os juros a aliviarem das subidas recentes. Subidas essas provocadas essencialmente pela especulação em torno do corte de estímulos por parte da Fed.
Os receios dos investidores eram de que a economia ainda não estivesse preparada para absorver o choque de retirada de parte de estímulos, principalmente porque os indicadores económicos na Europa ainda não estão a dar sinais de recuperação efectiva.
Assim, a Alemanha está a ser o país que mais beneficia desta decisão, assistindo a uma descida que supera os 10 pontos nos prazos a cinco e a 10 anos, com esta última maturidade a observar uma “yield” de 1,895%.
Em França, o cenário é semelhante, com as “yields” a descerem entre 5,1 pontos, no prazo a dois anos, para 9,9 pontos para 2,409% no prazo a 10 anos. Paris foi esta quinta-feira ao mercado financiar-se tendo pago juros mais elevados do que na última emissão comparável.
Espanha, Irlanda e Itália estão igualmente a registar descidas nas taxas de juro implícitas, ainda que de uma forma mais moderada, beneficiando precisamente da decisão da Fed.