Pressão sobre o BES contagia juros da dívida pública
A turbulência no BES está a penalizar o apetite por activos portugueses, não só as acções do PSI-20 mas também a dívida pública. Isto apesar de o Banco de Portugal dizer que é "desejável" uma solução privada para o BES.
Os juros da dívida pública estão a subir entre dois e três pontos-base na maioria dos prazos, num dia em que as taxas de juro da dívida de Espanha e Itália estão a descer na mesma medida.
A dívida a 10 anos está a ser negociada com uma taxa superior a 3,602%. O "spread" entre Portugal e Alemanha está nos 243 pontos. Uma diferença de 53 pontos sobre o mínimo registado a 10 de Junho, 190 pontos. Durante essa sessão, de 10 de Junho, a taxa a 10 anos chegou a tocar nos 3,23%.
Também se registam subidas nos juros nas restantes maturidades: 0,741% a dois anos (aprecia 1,5 pontos-base) e 2,053% a cinco anos (soma 2,6 pontos-base).
O País está a contrariar a descida das taxas de juro nos restantes mercados periféricos. Em Espanha, as "yields" estão a recuar 4,2 pontos-base para 2,481%. Em Itália, a dívida a 10 anos está a ser negociada a 2,669%, a baixar três pontos-base.
Apesar de a pressão sobre a bolsa e sobre os títulos de dívida (sobretudo a subordinada) do BES, o agravamento dos juros da dívida está a ser contido pela indicação dada pelo Banco de Portugal de que é "desejável" uma solução privada para a recapitalização, assim podendo evitar o recurso aos restantes fundos da troika.
Ainda assim, "a solidez da instituição está salvaguardada pelo facto de continuar disponível a linha de recapitalização pública criada no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira para suportar eventuais necessidades de capital do sistema bancário", afirma o regulador.