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GMV responde aos desafios da aeronáutica, segurança e defesa

A atividade da tecnológica assenta na criação de soluções inovadoras de engenharia, que passam pela conceção e desenvolvimento de software e de hardware, integração e manutenção de sistemas.

12 de Dezembro de 2019 às 09:12
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Portugal está na moda. Possui uma cultura e um ambiente atrativos para empreendedores e start-ups. Há um crescimento generalizado das tecnológicas no mundo e Portugal não é exceção. O que talvez não tenha presente é que existem muitas tecnológicas no país que desenvolvem soluções sofisticadas para indústrias como a aeronáutica, o espaço ou a defesa.

José Neves, diretor de Aeronáutica e Defesa da GMV Portugal, explica os desafios que são colocados à empresa, alguns dos projetos nos quais estão a trabalhar e soluções que apresentam ao mercado.

O gestor refere que o crescimento do negócio da empresa é generalizado e não se limita apenas à área de negócio que dirige. A GMV conta em Lisboa com 110 pessoas e tem atualmente cerca de 15 posições abertas para contratar.


No ano passado, a GMV conquistou o maior contrato da história da empresa. Foram 150 milhões de euros relativos ao programa europeu de georreferenciação Galileo. Na área da defesa, conquistou novos projetos com a NATO, e com a BMW para o setor automóvel.

Em entrevista, José Neves explica que a empresa trabalha em aeronáutica desde a sua génese.

 

Oportunidades no setor aeronáutico

O grande desafio da aeronáutica é o seu crescimento. Existe um parque aeronáutico na área da aviação civil com cerca de 25 mil aeronaves. A previsão para 2040 é que esse número duplique. Uma realidade que, no entender de José Neves, trará um conjunto de impactos "no número de pilotos disponíveis no mercado, no número de mecânicos, no controlo de tráfego aéreo ou no espaço físico dos aeroportos para albergar este aumento de aviões."


O valor de mercado da indústria aeronáutica está avaliado em cerca de 117 mil milhões de euros e o gestor explica que o custo de um avião pode ser dividido em três terços. O primeiro diz respeito aos motores, o segundo é relativo à estrutura da aeronave com o interior e o exterior da cabina e, por último, surge a aviónica. É este último segmento que interessa ao negócio da GMV. Por aviónica entende-se toda a parte da eletrónica a bordo dos aviões, que inclui os sistemas de navegação e de comunicação, piloto automático, sistemas de controlo de voo e infoentretenimento.

 

Participação no Clean Sky

Além do crescimento do setor, existe o tema da sustentabilidade e a pegada ecológica da aviação civil. De acordo com o relatório anual de 2018 da Agência Internacional de Energia, os transportes são responsáveis por 24% das emissões totais de CO2 no planeta. No ano passado, as emissões da aviação civil representaram 2,4% do total das emissões feitas pelo setor dos transportes, de acordo com o International Council on Clean Transportation (ICCT). O peso da aviação nas emissões de CO2 é reduzido, o que preocupa a indústria aeronáutica é o rápido crescimento que está a acontecer na aviação comercial em todo o mundo.


Os novos modelos de aviões são cada vez mais económicos e poluem menos, os NEO da Airbus têm já estas características. Se nos próximos anos se verificar o crescimento estimado de passageiros e de aviões no ar, as emissões de CO2 vão aumentar substancialmente. Essa é uma preocupação real do setor que se encontra a analisar formas de reduzir a sua pegada ambiental, como desenvolver o avião elétrico.

O nosso interlocutor reconhece o interesse e o envolvimento da União Europeia nesta matéria, ao proporcionar um forte impulso à inovação e desenvolvimento de novas abordagens financiando e coordenando atividades de inovação e desenvolvimento para produzir aeronaves significativamente mais silenciosas e mais ecológicas, através da parceria público-privada Clean Sky. A meta traçada pela nova comissão europeia é a Europa ser o primeiro continente "climate neutral" até 2050.


A GMV participa no Clean Sky através de três projetos. O primeiro é o UBBICK. Trata-se de uma parceria com a francesa Safran para desenvolver sistemas aviónicos que modernizem as aeronaves para reduzir a sua pegada ecológica. O segundo é o Projeto PASSARO, que resulta de um consórcio de 13 empresas portuguesas, com o objetivo de integrar tecnologias inovadoras que permitam melhorar a segurança, a eficiência e a sustentabilidade das aeronaves. O mais recente, VACCINE, é ainda mais disruptivo para o sector focando-se na implementação de Inteligência Artificial em sistemas embarcados para identificar ciberataques às comunicações aeronáuticas.




Um sistema operativo que reduz o tamanho e o peso de sistemas de segurança

O mercado da aeronáutica é uma corrida de fundo. Para integrar um produto num determinado fabricante de aviões não basta bater à porta de uma Airbus, uma Boeing ou uma Embraer. É necessário aceder a este mercado através dos Original Equipment Manufacturer (OEM), parceiros certificados que já fornecem componentes à indústria. Foi este o caminho seguido pela GMV que era parceira da Zodiac, empresa francesa que foi adquirida no ano passado pela Safran. Os critérios de seleção são rigorosos, quer na qualidade, na fiabilidade ou na garantia de sustentabilidade financeira das empresas. Isto porque "uma peça ou um sistema que seja utilizado por um qualquer modelo de aeronave da Airbus, Boeing ou Embraer, ou outro fabricante de aeronaves, tem um tempo médio de vida de, pelo menos, 20 anos.

Ao longo desse tempo é necessário garantir a operacionalidade do equipamento e a respetiva assistência", explica José Neves, referindo que a GMV utiliza tecnologia desenvolvida pela empresa nos modelos da Airbus (C295, A330, A400M, ATLANTE). No caso da GMV, a tecnologia integrada é o xky, um novo sistema operativo com partições temporais e espaciais, no qual correm sistemas e aplicações de aviónica que estão em conformidade com a especificação ARINC 653, cuja finalidade consiste em servir como rede de tronco para uma implementação do conceito Integrated Modular Avionics (IMA). Este sistema contribui para a redução de tamanho, peso e potência em sistemas críticos de segurança complexos, e responde aos mais estritos requisitos de certificação aeronáutica (DAL-A).

"O nosso sistema operativo xky é diferente de todos os restantes existentes no mercado, tem um padrão de resposta mais elevado e quem trabalha com ele consegue ver as mais-valias, o que proporcionou uma janela de oportunidade muito interessante", diz José Neves, que acrescenta que o sistema xky foi desenvolvido por uma equipa de 12 pessoas em Portugal e foi necessário investir 2 milhões de euros para certificar o sistema.

O grupo

O grupo está presente em Espanha, Alemanha, Colômbia, França, EUA, Malásia, Polónia, Portugal, Reino Unido e Roménia. Em 2018, apresentou receitas superiores a 200 milhões de euros e uma equipa de cerca de mais de 2000 profissionais o que representou um aumento de 400 pessoas e um aumentou do volume de negócios em 70 milhões de euros. Indicadores que ilustram o dinamismo do setor e da GMV, cujo crescimento é transversal a todas as áreas do grupo.

Presença em Portugal

A empresa GMV Portugal foi fundada em 2007, depois de concluir a aquisição realizada à Skysoft em 2006, uma tecnológica portuguesa fundada em 1984 e que na altura da aquisição contava com cerca de 40 engenheiros. Desde essa data até outubro de 2019, a filial portuguesa cresceu em pessoas, em negócio e em competência. Existem dois centros de competência em Portugal, um ligado ao setor aeronáutico e outro relacionado com a área marítima.

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