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Notícia

Experiência positiva do cliente

Um dos principais desafios do marketing é antecipar mudanças para surpreender as pessoas e ser capaz de entregar soluções inovadoras em vários canais ao mesmo tempo, mas de forma humanizada.

14 de Abril de 2021 às 07:53
Rita Reis, diretora de Comunicação do Grupo Ensinus
Rita Reis, diretora de Comunicação do Grupo Ensinus

Esteve desde sempre ligada à área da investigação, fruto da licenciatura em Design Industrial, no IADE - Creative University, e do mestrado em Design Industrial e Gestão de Produto, pela FEUP Porto e ESAD Matosinhos. Foi através da tese de mestrado que começou a trabalhar no INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, um organismo de investigação, demonstração e desenvolvimento tecnológico, integrado no Ministério da Economia e Inovação.

Vários colegas investigadores desafiaram-na para integrar um projeto na área do Design & Marketing Product, numa empresa de referência no mercado da tecnologia de tokens biométricos, travel, border control and all smart facilities.

Adquiriu muitas ferramentas e experiência. Desenvolveram e lançaram o inovador cartão de cidadão, o passaporte e as fronteiras eletrónicas, hoje uma realidade internacional e com cunho dessa multinacional. Estas experiências imensuráveis, na primeira década de carreira, fizeram-na crescer muito e criar uma resiliência singular. Era um mundo muito veloz e estranhamente masculino, no qual Rita Reis marcou posição pelas evidências do trabalho.

Nunca se conformou com a narrativa de que as mulheres estavam associadas a cargos menores ou de rótulo de género. É difícil, por vezes, ter de trabalhar o dobro para sobressair, o que obriga a ritmos complexos e a paragens para clarificar o caminho.

Uns anos mais tarde foi convidada a lecionar e inaugurar, com a restante equipa, o curso de Design na Escola de Comércio de Lisboa. Foi paixão imediata. Era como se fosse marketeer e estratega todos os dias, a todo o momento, o privilégio de estar no terreno com o público que consume o produto. One-to-one! "Os jovens são inspiradores, moldáveis, criativos e ensinam imenso sobre tendências, tecnologias, conteúdos…. Só temos de lhes dizer o que é spam e criar necessidades."

Gostou tanto que foi ficando e acabou por tirar outro mestrado, em Ensino de Artes Visuais, pela ULHT, assumindo, paralelamente, a docência das disciplinas de Design e Tecnologias de Comunicação, Organização de Eventos, Marketing, integrando ainda o Gabinete de Comunicação da instituição.

O salto foi quase natural, um ímpeto leva a outro e as funções foram reconhecidas por quem decide, o que muito a lisonjeia. Consideraram que é de fazer acontecer e isso levou-a a assumir funções como diretora de Comunicação no Grupo Ensinus, exercício que considera que se transformou numa verdadeira missão e paixão.


O Grupo Ensinus tem várias instituições de ensino, desde a creche ao ensino superior, em Portugal, Moçambique e Guiné-Bissau. Anda de mãos dadas com as necessidades destes países e criar valor é, claramente, permitir que todos estudem e possam ter mais e melhor acesso ao mundo. 

 

Porquê a opção profissional pelo marketing?

Era irrealizável fugir ao destino. Uma coisa levou à outra: estudos, experimentação. Nem pensei muito nisso, fui construindo o meu caminho com total empenho e convicção, em todas as instituições onde trabalhei, em que dar o máximo era a máxima para a realização pessoal e por ter acreditado sempre nas marcas e nos projetos que integrava e representei, caso contrário seria uma perda de tempo.... É tudo uma "fake engagement policy!". Gosto de criar, planificar, de pensar nas pessoas, nos produtos, mas acima de tudo de concretizar e contribuir para a felicidade daqueles que direta e indiretamente conquistam, crescem, se realizam e são felizes. Esse é o brilho do meu retorno.

 

Que mudanças verificadas no marketing nos últimos tempos merecem destaque?

A digitalização, sem dúvida. Mas ocorreram muitas transformações e evoluções. Começámos no Marketing 1.0, muito focado no produto, vender, vender, vender, desenfreadamente, sem compreender o avanço do público e sem oferecer alternativas. Depois o Marketing 2.0, centrado imenso no cliente, em que imperava a máxima: "Tem sempre razão." Mas essa já não existe! As pessoas querem ser testadas e, claro, mudar de opinião.

Entretanto consolidou-se o Marketing 3.0, assente em valores, numa visão estratégica para a gestão da empresa e com alto envolvimento do consumidor. Mas chegámos, inevitavelmente, ao Marketing 4.0 com a transformação digital, onde se beneficia das antigas vertentes da área. Contudo, somamos todas as peças do puzzle e atualizamos a grande velocidade, digitalmente.

 

Quais os principais desafios que o marketing enfrenta?

Antecipar mudanças para surpreender as pessoas e ser capaz de entregar soluções inovadoras em vários canais ao mesmo tempo, mas de forma humanizada. Independentemente das tecnologias, que são excelentes, temos de conseguir ultrapassar as chamadas "febres" e apostar cada vez mais na humanização da marca. Os grandes pensadores e atores da área apontam para essa direção. Só conseguimos o fator "wow" ao criar conteúdo identificativo e fazer do nosso cliente um cocriador! Um desafio enorme para o branding.

 

Quais as tendências que irão marcar o futuro?

A frase é: experiência positiva do cliente. Os futuros consumidores vão querer ser provocados, mas de forma otimizada, de sentir entusiasmo, num processo de diálogo e confiança, com conforto e independência, num sítio qualquer e a qualquer hora. Tornar empático o tempo de contacto dará segurança ao consumidor.

Curiosamente, aquilo que tanto defendo: o design thinking. São inúmeras as empresas internacionais que já o utilizam em processos de gestão ao nível de topo. Para aferir as necessidades, as pessoas são colocadas no centro da questão. Aliás, melhor do que várias respostas, impõe-se fazer as perguntas certas! Tens de dar espaço para o erro, mas se não tentas, se não crias empatia, não podes esperar grandes resultados.

 

Quais as características de um bom marketeer?

Resiliente, empático, uma sólida capacidade de intuição e forte equilíbrio emocional. Criativo, bom ouvinte, ávido de coisas novas, observador, interessado em pessoas e em cultura. Deve ler sobre tudo. Não pode só ver e ler o que gosta, isso é um erro crasso. Só se consegue ter uma visão ampla quando se "tem mundo".

 

Qual a campanha que mais prazer lhe deu fazer?

Encaro tudo como desafios positivos e de crescimento, mas tenho na memória a participação no maior evento de ensino em Portugal, em 2019, como diretora de Comunicação no Grupo Ensinus. Recorrente e anualmente estávamos presentes em vários stands de diversas escolas, surgindo separadamente sem que os jovens compreendessem que uma marca tinha algo a ver com outra, ou que pertenciam ao mesmo grupo. Naquele ano queríamos um novo posicionamento, aparecer em conjunto, sobre uma insígnia Ensinus.

Apresentámo-nos com um total rebranding, com um conceito monocromático, com todas as escolas, sobre uma imensa área, evidenciando solidez, agregação na mesma cromia e sem perder as identidades individuais. Quando as pessoas entravam nos pavilhões viam-nos à distância, aquilo metia respeito e o mote era a Galáxia Ensinus, onde todos tinham o seu planeta (instituição de ensino).

Mostrámos união na diversidade e cortámos com o ruído visual de todas as outras marcas. Foi uma luta muito boa, até internamente, com resistências positivas, que corporativamente se tornaram numa vitória de todos.

 

Qual a campanha de que mais gostou, não sua, nacional ou internacional? Porquê?

Em termos nacionais temos uma das melhores da história na publicidade em Portugal. Foi realizado em 1995 para a Telecel, atual Vodafone, com "Tou sim, é para mim!" e foi um momento de viragem, na comunicação e no marketing.

No contexto internacional, a recente "Open That Coca-Cola", com música by Tyler, The Creator. Eles são uma máquina, têm os meios, o budget e a empatia do consumidor, qualquer jovem queria estar ali.

 

Qual o conselho para quem começa a trabalhar nesta área?

Trabalhar com muita paixão e estar em constante evolução, saber ouvir quem possui experiência e saber propor alterações, lançar novos desafios no momento certo e com argumentos válidos e sustentados. É muito interessante discutir ideias com sangue novo, eles são o futuro das empresas. Uma dose q.b. de humildade é necessária, assim como fazer o trabalho de casa. É fundamental conhecer as marcas para onde vão trabalhar e os seus consumidores/públicos.

"Os futuros consumidores vão querer ser provocados, mas de forma otimizada, de sentir entusiasmo, num processo de diálogo e confiança, com conforto e independência, num sítio qualquer e a qualquer hora." Rita Reis, diretora de Comunicação do Grupo Ensinus

Um livro?

Um livro?

Tantos, mas este levou-me a novos imaginários, “As Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino.

Um podcast?

Um podcast?

Gosto muito de rir, é uma característica minha. Sou fã do FUSO da Bumba na Fofinha.

Um destino de férias?

Um destino de férias?

Por cá, e desde menina de colo, Litoral alentejano, no verão. No inverno, adoro ir a Évora, Estremoz, Mourão. Lá fora, penso logo em África.

Hobbies?

Hobbies?

O teatro, com grande devoção. Desportos náuticos, sou um fragmento de adrenalina… Adoro surf. Causas diárias, a missão da APDP - Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (em particular com as crianças) e a AMC - Associação Mellitus Criança.

Um gadget indispensável?

Um gadget indispensável?

Impossível viver sem ele, smartphone. Mas com tanta videochamada e zoom meetings, o investimento certeiro dos últimos meses são uns bons phones.

Uma música para trabalhar?

Uma música para trabalhar?

Fico cheia de energia e ideias: “Hey”, Pixies.

Uma música para relaxar?

Uma música para relaxar?

Estou adicta com a nova de Lana Del Rey “Chemtrails over the Country Club”.

Uma frase que o orienta?

Uma frase que o orienta?

Fazer acontecer, Rita! Mas também uso muito outra, que está sempre na minha mente: é proibido proibir! Chama-me à razão.

Alguém que o inspira?

Alguém que o inspira?

Diversas mulheres que lutaram para hoje termos mais dignidade, valor, liberdade. Só de pensar em algumas, emociono-me.

O que ainda lhe falta fazer?

O que ainda lhe falta fazer?

Tanta coisa. Já sei… falta saltar de avião, em honra do meu pai, para sempre paraquedista!


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