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Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Competitividade: O impacto da digitalização

É uma nova fase do digital. Nos serviços, a digitalização tem um efeito imediato e de disrupção nos modelos de negócio pois há uma eficiência que a digitalização traz. Mas também contribui com inovação em negócios mais tradicionais e que geram muitas eficiências nas cadeias de valor.

27 de Julho de 2016 às 11:14
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Esta nova fase pressupõe desafios diferentes do que se tiveram até agora. Resultam mais da convergência de maturidade das tecnologias que têm construído ao longo dos últimos anos do que do surgimento de novas tecnologia. Nunca como agora se tem capacidade para recolher tanta informação, e, além disso, ter capacidade para a armazenar, processar, tratar e transformá-la em inteligência. Estas tecnologias de recolha, tratamento e análise amadureceram ao longo dos anos e estão a atingir a maturidade num processo de convergência. Esta transformação digital vai ter impacto tanto na produção com a robótica e smart machines mas também pela capacidade de inteligência e de predição. E terá impacto na agricultura, na prospecção de petróleos e de minérios.

Nos últimos cinco anos, os processos de digitalização do upstream do negócio de uma petrolífera geraram poupanças da ordem dos 200 milhões de euros e tem nessas operações cerca de 1700 quilómetros de fibra óptica para conectar processos. Toda esta evolução permite que uma empresa petrolífera consiga ganhar dinheiro com o barril de petróleo a 50 dólares, o que seria impensável há poucos anos. Era impossível ter a sua situação de caixa equilibrada a 60 dólares o barril.

O tecido empresarial em Portugal é constituído por 98% de PME, o que coloca a questão de como é que se faz o efeito de disseminação da tecnologia nestas empresas. As PME têm dificuldade em absorver a mão-de-obra do conhecimento e com grande qualificação. Mas há em Portugal uma dificuldade na passagem da investigação para a inovação, para o produto ou o serviço ainda apresenta algumas dificuldades.

É uma digitalização mais virada para o consumo em que há um desenvolvimento de natureza tecnológico e de conectividade que permite com um nível acelerado de digitalização, a customização e a flexibilidade do que se fornece ao cliente. Exige-se criatividade, flexibilidade, capacidade de resposta rápida porque o mundo muda cada vez mais rapidamente, o que pode ser uma vantagem para PME e start-ups e de, certo modo, para tecidos económicos como o de Portugal.

A transformação digital vai tocar no mundo físico e vai acontecer de uma forma mais rápida. Hoje em dia um dos ramos mais dinâmicos é o da robótica e da automação, que não inclui apenas a robótica mecânica com robôs e mecanismos autómatos mas também software com articulação com a Inteligência Artificial de forma a que os robôs possam interagir e conversar. As máquinas aprendem com a informação. Hoje em dia é frequente falar-se para um call-center e ser atendido por um robô, que hoje têm capacidade de aprendizagem. Por isso no futuro os robôs entrarão em actividades como a agricultura, a construção e a pesca.

Como se financia o digital

O presente já é digital por isso o futuro pode ser mais qualquer coisa mas vai ser digital. O digital é uma oportunidade mas é um investimento tão elevado como no mundo físico. A natureza do investimento muda mas os montantes não porque o digital não é uma área de baixo investimento. Claro que as start-ups que trazem novos modelos de negócio podem ter ideias disruptivas com pouco investimento e conseguem comer o queijo às grandes multinacionais. Mas não pode haver deslumbramentos e pensar que pelo facto de fazer um programa de computador se vai ser competitivo à escala global. O digital necessita de recursos qualificados, de investimentos de promoção elevados para que um produto digital seja competitivo e entre nos mercados globais, que deve ser o verdadeiro objectivo porque a lógica já não é da produto físico que começa pelo mercado local e depois vai ganhando escala e faz a expansão global.

Como se faz o financiamento da inovação, como é se financia processos, produtos, serviços cada vez mais inovadores, mais disruptivos, mais rápidos, e cada vez têm menos histórico? Fala-se fintech mas há poucos referenciais nesta âmbito e este exercício do financiamento da inovação versus os mecanismos tradicionais de financiamento é provavelmente uma das questões mais disruptivas com que se tem lidar até porque tem consequências na escala com que se acedem aos financiamentos para investimentos na China ou em Portugal.

A ter em conta • Detecção, geração e atracção de talento, é a forma de que um país pode garantir que mantém a sua competitividade e das suas empresas.

• Qualificação para o digital e o conhecimento.

• Investimento que se garante que há financiamento da economia e sobretudo da sua inovação.

• Digitalização do Estado que tem um efeito reprodutivo, nas sociedades mais avançadas do ponto de vista do digital verifica-se que são aquelas em que o Estado é mais digitalizado.

• Transformar o I&D em inovação.

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