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Os horários de trabalho geram grande parte da conflitualidade

“Entre 80 e 90% dos pedidos de intervenção inspetiva submetidos à Autoridade para as Condições do Trabalho referem-se a matérias de organização do tempo de trabalho e descanso”, disse Fernanda Campos, da ACT.

Filipe S. Fernandes 08 de Julho de 2021 às 13:00
Fernanda Campos defende o diálogo social para resolver os problemas. DR
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Com a 4.ª revolução industrial e o peso da digitalização e das tecnologias de comunicação surgiu "esta capacidade de prestar o trabalho. Independentemente da hora e do local, as empresas, a administração do trabalho, nomeadamente a ACT, os trabalhadores, têm várias vias para resolver o problema, a minha preferida seria o diálogo social", assinala Fernanda Campos, subinspetora-geral e inspetora-geral, em suplência, da ACT.

Para Fernanda Campos seria através do diálogo social que se poderiam criar estruturas que pudessem de facto ajudar à flexibilidade do tempo de trabalho e repouso, tendo em conta o impacto nas condições de segurança e saúde dos trabalhadores, na produtividade, na competitividade das empresas, na possibilidade da paz social dentro das empresas.

Trabalhadores sem representação

Sublinhou que "um trabalhador que presta serviço em vários sítios, sem ter um tempo de descanso que se lhe imponha, vai potenciar não só acidentes para si próprio como para outros, dependendo das tarefas que executa, e implica com a vida pessoal com todas as fontes de conflitualidade que pode gerar".

José Pedro Anacoreta Correia concorda com a importância e o papel do diálogo social, "responsável pelo progresso e pela paz ao longo de toda a segunda metade do século XX, portanto, este é um paradigma de sucesso, que nós hoje não valorizamos",

Alerta que "hoje em dia, estamos a assistir a uma realidade em que se desvaloriza a negociação. Por outro lado, há um conjunto de trabalhadores muito relevantes que está fora do diálogo social, porque não tem contrato de trabalho ou não quer ter, que não têm quem os representem, porque o diálogo social foi estruturado para ter de um lado empresas, normalmente associações de empresas que representam maioritariamente grandes empresas e trabalhadores sindicalizados. Há aqui um conjunto muito grande da força de trabalho que está excluída da negociação coletiva", concluiu José Pedro Anacoreta Correia.