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Start-ups de sucesso em Portugal

As empresas têm percursos e histórias diferentes mas os desafios para o futuro são semelhantes. Nasceram globais e precisam de financiamento e talento.

Filipe S. Fernandes 05 de Dezembro de 2016 às 14:49
É importante que as start-ups atraiam capitais internacionais. Inês Gomes Lourenço
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Quando se fala no mundo digital estamos a falar de um mercado global" referiu José Paiva, CEO da Landing.jobs. O que foi corroborado por Miguel Pina Martins, CEO da Science4You, para quem o "mercado potencial é, pelo menos, o europeu mesmo com os handicaps de ter tantas línguas mas no ambiente tech não é tão complicado até porque o inglês é a língua universal". Para o fundador da Science4You, "o grande desafio de qualquer start-up, seja em Portugal ou no mundo, é conseguir provar que o seu serviço ou produto funciona, este desafio é universal."

A Landing.jobs foi criada em Lisboa mas dois anos depois já tinha mais de 2500 colocações que fez este ano forma fora de Portugal. "Este ano já colocamos um australiano numa empresa na Holanda por recomendação de um espanhol" disse a título de exemplo. No financiamento, o facto de estar em Portugal pode ser um constrangimento. A Portugal Ventures financiou em 700 mil euros mas os competidores, sobretudo dos Estados Unidos, podem aceder a dez vezes mais capital, por isso por muita "imaginação, criatividade e esforço é complicado competir, mas não é impossível" diz José Paiva.

Uma das formas de combater esta dificuldade é conseguir que logo nas primeiras fases de financiamento se consigam atrair capitais internacionais. A Uniplaces, que nasceu há três anos, conseguiu levantar até agora 30 milhões de dólares entre eles os fundo internacionais Octopus ou Atomic que funcionam como uma espécie de "validação" e permite atrair outro tipo de talento como o novo director de produto que veio da Yahoo!. Por outro lado, segundo Pedro Sinogas, CEO da Tekever, para atrair capital de investidores estrangeiros implica oferecer "valorizações muito boas porque o risco conjuntural em Portugal é elevado".

Miguel Pina Martins recorda, pela sua experiência, que o financiamento há oito anos era mais difícil. "Mas continua a ser difícil aceder a investimentos de 3 a 5 milhões de euros, que dê dimensão e robustez aos projectos". Assinalou que há uma boa oferta para private-equity mas não para venture capital que é essencial para as start-ups. Se não houver equilibro entre as duas formas de investimento "o Vale da Morte para as start-ups será maior em Portugal do que em outros sítios, porque se não encontrar o investimento no tempo certo pode ser fatal". Actualmente a Tradiio está a preparar-se para lançar a plataforma nos Estados Unidos, onde está o core desta indústria em ebulição, e procuram financiamento para fazer este movimento, pois "somos a primeira plataforma em que as pessoas podem fazer a subscrição dos seus artistas" referiu Alvaro Gomez, CEO da Tradiio.

Profissionais de start-up

Esta empresa tem dois anos e teve, como principal desafio, mover-se numa indústria como a da música. que está em completa transformação pois foi uma das primeiras indústrias a sofrer o impacto do digital em 1999. "Teve de desbravar caminho num ambiente obscuro e incerto e em contínua mutação em que se descobre um nicho e têm-se logo concorrência" disse Alvaro Gomez.

"Cerca de 40% dos 130 colaboradores da Uniplaces são estrangeiros até porque está em vários países da Europa" referiu Pedro Pereira, responsável de marketing da Uniplaces. O actual ecossistema comporta poucas empresas, por isso existe "uma escola um pouco reduzida, com pouca experiência de trabalho em start-ups, mas temos talento porque existem bons engenheiros, bons designers" sublinhou Pedro Pereira, que acrescentou que "os recursos humanos para uma start-ups requerem perfis diferentes dos que exige uma empresa tradicional".

"Um dos maiores desafios da Tekever e das novas ventures em que temos vindo a entrar é a falta de talento. Existem pessoas muito boas, os engenheiros portugueses são tecnicamente muito bons e muito adaptáveis mas há uma escassez destes recursos" revelou Pedro Sinogas. Um dos problemas que assinala é a falta de estabilidade a nível fiscal, por exemplo, que a dada altura a Tekever perdeu vários quadros para empresas em Inglaterra.

A este propósito José Paiva da Landing.jobs alertou para o facto de várias empresas multinacionais estarem a planear a criação de tech centres em Portugal, o "que fará regressar muitas pessoas mas vai tornar o talento mais escasso para as empresas e para as start-ups". Aduziu que com a expansão do trabalho remoto "podemos ter capacidade para atrair talentos pela nossa qualidade de vida mas vai causar também stress no recrutamento de talento em Portugal".

Pedro Sinogas apontou ainda o facto de a "justiça ser pouco amigável dos investidores porque nenhum problema se resolve rapidamente em Portugal".


start-ups

Quem são e o que fazem 

Nasceram como projectos de negócio globais e estão em fases de negócio diferentes

Landing.jobs
Fundada por Pedro Carmo Oliveira e José Paiva, CEO, é um mercado de recrutamento online especializado no sector das tecnologias de informação. Construído com base na transparência, na confiança e numa abordagem humana ao recrutamento de profissionais das TI, Landing.jobs tem como objectivo criar combinações perfeitas entre os talentos e as empresas que mais precisam deles. E o seu horizonte é o mundo apesar de competir com concorrentes internacionais com mais acesso a capitais.


Science4you
Criada Miguel Pina Martins, CEO, há cerca de oito anos desenvolve e comercializa jogos e brinquedos educativos, chocolates e drones s jogos e para crianças dos 3 aos 14 anos. Começaram com vendas de 50 mil euros e este ano vão vender cerca de 18 milhões de euros. Nesta altura são a terceira empresa ibérica neste sector muito competitivo. Já não é propriamente uma start-up e tem registado bons crescimentos. A Science4you tem crescido 100% ao ano desde há oito anos.


Tekever
Nascida há 14 anos, desenvolve tecnologias inovadoras para Negócios Aeroespacial, Defesa e Mercados de Segurança. Actualmente, a Tekever tem subsidiárias na Europa, Ásia, América do Sul e do Norte, focadas no desenvolvimento de tecnologias inovadoras, e na criação e distribuição de produtos, apoiando parceiros e atendendo clientes de todo o mundo. As actividades do Grupo são organizadas na área de Tecnologia da Informação e das Divisões Aeroespacial, Defesa e Segurança.


Tradiio
Fundada por Alvaro Gomez, André Moniz and Miguel Leite em 2014 mas só lançou o produto em Portugal e em Inglaterra em 2015. É uma plataforma de streaming de música que permite a músicos colocar as suas músicas e em que os utilizadores podem conhecer e apoiar os artistas. Aberta para artistas up-and-coming e artistas mais estabelecidos, é uma plataforma de lançamento para os músicos. Neste momento procura capitais para poder entrar num mercado decisivo que é os Estados Unidos.


Uniplaces
Os fundadores da Uniplaces foram Mariano Kostelec; Ben Grech e Miguel Santo Amaro. Tem casas e quartos, cerca de 40 mil, em mais de 39 cidades europeias. E há seis cidades onde estão mais focados: Lisboa, Porto, Madrid, Barcelona, Berlim e Milão. A Uniplaces está a criar uma marca global para estudantes que procuram alojamento e foi lançada em 2013. Tem conseguido obter financiamentos de fundos internacionais e desse modo atrair também talento internacional para a sua gestão. 



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