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Liderança e gestão em tempos de teletrabalho

A liderança remota é mais focada em resultados, com a pessoa a trabalhar onde quiser, o que desafia muitas empresas centradas em práticas antigas de liderança pelo microgestão, pelo controlo visual do trabalho.

Filipe S. Fernandes 06 de Maio de 2020 às 14:30
Ricardo Parreira considera que a pandemia está a ser um bom teste para analisar.
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Este novo mundo exige "uma liderança diferente e, de facto, estamos a assistir a esta aceleração que só pode ser positiva, porque de facto há exemplos de ganhos de eficiência e de eficácia nas mais pequenas coisas, desde as reuniões, que passaram a começar a horas, as pessoas ouvem-se umas às outras porque não podem falar todas ao mesmo tempo, as reuniões são mais curtas", refere Ricardo Parreira, CEO da PHC, empresa de software de gestão.

Na PHC já existiam práticas remotas, mas nunca tinham tido a necessidade de pôr a empresa totalmente em trabalho remoto. "Está a ser um bom teste para analisar. Em que competências temos de evoluir agora, que áreas é que temos de trabalhar em termos de liderança. Temos vários tipos de líderes, somos mais de 200 pessoas em cinco países (Portugal, Espanha, Angola, Moçambique e Peru), antigamente em seis escritórios, atualmente em 200 escritórios. Tínhamos líderes que se focavam mais numa liderança pelo resultado, outros em acompanhar muito de perto, todos eles estão a evoluir, a gerir remotamente", analisa Ricardo Parreira.

A liderança em termos de trabalho remoto tem questões muito importantes, alerta Ricardo Parreira. "É muito mais difícil perceber se a pessoa não está bem, porque se vê apenas pela câmara e diante desta as pessoas ficam de certo modo intimidadas. São necessários outros tipos de liderança, de técnicas que permitam assegurar que as equipas estão bem, se estão a evoluir bem, se cada indivíduo se está a sentir e o que pode fazer para melhorar".

Líder pelo serviço

Alerta, no entanto, que "este também não é um teletrabalho normal porque em muitos dos casos se está em família, em que as solicitações são maiores e mais diferenciadas. Por isso vamos aproveitar muito quando o trabalho remoto for normal".

Na PHC já têm o conceito do líder pelo serviço, cujo grande objetivo deve ser retirar os obstáculos às pessoas. "Em remote é muito mais importante nós comunicarmos, ouvirmos ou vermos que obstáculos existem e para os retirarmos", afirma Ricardo Parreira. Para quem "neste momento um dos principais obstáculos é acima de tudo o medo. Temos feito muito para combater este conceito do medo pelo medo, que se ultrapassa com informação, comunicação, e nós aumentamos de tal maneira a comunicação concentrada que temos pessoas a dizer que as equipas estão melhores, que se sentem mais integrados, que se reveem mais no trabalho que está a ser feito".

"Estamos a fazer um esforço na PHC para que tentar extrapolar as partes positivas de todo este novo mundo, a que chamamos, employee experience", afirma Ricardo Parreira. Acrescenta que "é muito óbvia a evolução da experiência do cliente e do comércio eletrónico, mas acho que a experiência do colaborador ainda vai ser maior, porque tivemos dois meses de quarentena e muitas empresas dois meses a trabalhar em casa. E toda esta experiência vai mudar a mentalidade da liderança e dos próprios colaboradores".

"Pensava-se que não se podia fazer recrutamento remotamente, mas é possível fazer as entrevistas, os testes e contratar. Pensava-se que era difícil liderar remotamente, mas é perfeitamente possível. Pensava-se que não era possível vender sem reuniões presenciais. Pensava-se que a colaboração exigia que as pessoas trabalhassem todas em open space, não é verdade, há muitas oportunidades no mundo da colaboração", considera Ricardo Parreira.

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