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Rodrigo Machaz: “O verdadeiro Ronaldo da economia foi o turismo”

Rodrigo Machaz diz que há capacidade instalada, vontade de trabalhar, e que “tudo o que economia der ao turismo garanto que vai receber em dobro”.

Filipe S. Fernandes 09 de Junho de 2020 às 11:30
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"No confinamento as medidas tomadas foram corretas e para ajudar as pessoas, os trabalhadores que ficaram sem trabalho e as empresas sem negócio. Às empresas foi concedido o lay-off simplificado, mas as empresas tinham receitas zero e um custo de um terço da remuneração do pessoal, o que é pesadíssimo para uma empresa", diz Rodrigo Machaz, diretor-geral do Memmo Hotels.

A lógica de qualquer negócio pressupõe receitas e custos, se as receitas passam a zero e os custos não passam a zero, gera-se prejuízo. "Passamos de taxas de ocupação de 90% para zero e agora no desconfinamento estamos a ter ocupação de 10 a 30% e os mais otimistas com 50%, por isso os nossos custos têm de se ajustar e o nosso principal custo é as pessoas", afirma Rodrigo Machaz.

Com as novas regras de segurança, a hotelaria deixa de ter buffet e outras simplificações serviços sem custos de pessoal, para ter uma operação de F&B, áreas de bebida e restauração, mais onerosa em termos de pessoal. Por outro lado, nos quartos a redução de 90% para 20% faz com que haja mais gente disponível mas não se pode passar, por uma questão de competências, as pessoas de housekeeping para F&B. "Estas linhas de apoio impedem qualquer despedimento, portanto, são linhas de apoio às pessoas e não às empresas", considera Rodrigo Machaz.

Apoios do Governo

"Nesta fase temos de nos concentrar para a retoma. Nós apoiamos os postos de trabalho, o maior desafio na Memmo foi apoiar quem esteve connosco porque sabíamos que a retoma vinha aí. Não sabemos quando é que vai voltar, queremos passar esta confiança aos nossos clientes e aos nossos colaboradores, mas é fundamental nós sentirmos que da parte do Governo há confiança em que o turismo pode voltar a ser aquilo que foi na anterior crise", diz Rodrigo Machaz.

"É fundamental que o Governo crie linhas de apoio à retoma do turismo neste novo normal até aparecer uma vacinação geral, e que poderá não acontecer até ao primeiro trimestre de 2021", refere Rodrigo Machaz, que sublinha que "precisamos urgentemente que o Estado dê agora ao turismo tudo o que o turismo deu à economia nacional, porque deu muito nos últimos cinco anos". Acrescenta que "o verdadeiro Ronaldo da economia não foi o Mário Centeno mas o turismo".

Na sua opinião apoiar o turismo, é "dar dinheiro às empresas, o que não que se está a fazer. Neste momento sentimos é que nos estamos a endividar sem ter a certeza do que vem no futuro". Diz que há capacidade instalada, vontade de trabalhar, e que "tudo o que economia der ao turismo garanto que vai receber em dobro. Mas tem de apoiar, com apoios a fundo perdido, porque todas as linhas de crédito têm muitos condicionalismos e o nosso business model mudou radicalmente, temos muito menos receitas e temos todos os outros encargos, como os de pessoal, às nossas costas e é necessário um ajuste".

A hotelaria não é um negócio de curto prazo, "não fazemos especulação imobiliária porque quem abre um hotel sabe que vai ter de viver com ele 30 ou 40 anos. Temos de construir o turismo para os nossos netos, e não para pós-covid, porque ninguém abre um hotel para o pós-covid. Haverá sempre crises mas nesta altura era importante ajudar o turismo a relançar-se porque pode dar um contributo muito grande à economia portuguesa porque está muito bem posicionado mas precisa que invistam nele", garantiu Rodrigo Machaz.

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