Avaliar as despesas face ao rendimento
Definir um plano de gastos mensais tem como variáveis todas as despesas fixas e o rendimento mensal, é o primeiro passo para equilibrar o orçamento e dar folga para constituir uma poupança. É necessários avaliar os gastos com luz, água, condomínio, educação, seguros, etc, e ver que parcela absorvem da receita mensal. Comparadas estas duas variáveis, é necessário estabelecer prioridades em relação a cada despesa para depois ser possível identificar as oportunidades para reduzir os gastos. O que poderá passar até por pequenos gestos do dia-a-dia, como sugere a DECO: cortar as idas ao café ou economizar em transportes.
Fixar até 40% do rendimento para créditos
O crédito não pode ultrapassar 40% do vencimento mensal, alertam os especialistas. O Gabinete de Orientação ao Endividamento do Consumidor diz mesmo que o mais razoável serão os 30%. Mas nem sempre é isso que se verifica. Vários estudos realizados comprovam que a maioria do orçamento das famílias portugueses é, em média, destinada ao pagamento dos empréstimos à habitação, créditos automóvel ou de consumo. A factura elevada do crédito acaba por ser também a maior causa das situações de sobreendividamento que chegam aos gabinetes de apoio existentes. Segundo os especialistas, os portugueses continuam a ter hábitos de consumo acima do que os seus rendimentos permitem. Daí a importância de racionalizar os custos com créditos e fixar um tecto limite do vencimento para este tipo de despesa fixa.
Reservar 10% do rendimento para a poupança
As poupanças devem representar 10% do total do orçamento familiar disponível. E este valor deverá ser colocado “a salvo” logo no início do mês, para não entrar nas contas mensais. As famílias devem poupar todos os meses 10% dos rendimentos até atingirem um montante idêntico a seis ordenados. E depois de atingir este patamar a ideia não é gastar tudo o que se ganha no mês. Bem pelo contrário. A percentagem de poupança deverá ser a mesma, ou se possível mais. Mas depois de acumular um valor que lhe permite ter alguma segurança caso aconteça algum contratempo, as famílias devem canalizar parte do “pé de meia” para investimentos, rentabilizando as poupanças. Quanto ao tipo de investimentos, as famílias deverão analisar as opções disponíveis, consoante riscos e prazos.
Definir os diferentes objectivos de poupança
Poupar só por poupar é muito vago e pode levar a situações de consumo desmedido. Torna-se assim fundamental estabelece os diferentes objectivos de poupança. É recomendado ter uma parcela desse capital reservada para situações de emergência, e que esteja sempre disponível. A DECO aconselha que essa poupança deverá corresponder a 5/6 vezes o rendimento mensal. A economização familiar deverá passar ainda pela identificação de objectivos na área da educação dos diferentes membros do agregado. Começar cedo a planear a idade da reforma é também aconselhado, de forma a ser possível manter o padrão de qualidade de vida após a aposentação. Outros objectivos passam ainda por amealhar para as férias ou outra situação do quotidiano.
Investir para rentabilizar a poupança
Amealhar pode ser pouco para alcançar os objectivos desejados. É assim necessário fazer render o capital poupado, o que passa pelo recurso aos diferentes produtos financeiros existentes no mercado. Para os mais conservadores, existem os depósitos a prazo e os certificados de aforro, que dominam o gosto nacional. Existem também os produtos com vantagens fiscais, como os populares PPR e os seguros de vida e de capitalização. Para quem queira atingir maiores retornos, mesmo que para isso esteja disposto a assumir um pouco mais de risco, há que ter em conta a gestão profissional dos fundos de investimento ou o recurso aos mercados de acções.