“O principal desafio da Alfarroxo é conciliar a redução da utilização mundial de turfa - o produto mais utilizado na agricultura técnica, mas que tem sofrido enormes restrições devido à falta de sustentabilidade e à ausência de capacidade de regeneração - com a necessidade de encontrar alternativas fiáveis. A casca de pinheiro e a fibra de madeira podem responder a essa redução. É nesta área, associada ao desenvolvimento da agricultura e das culturas hidropónicas, que estamos a alavancar a estratégia da Alfarroxo”, diz Rui Pedro Trincão de Oliveira, CEO da Alfarroxo, empresa que em 2025 venceu a categoria Bens Transacionáveis-PME dos Prémios Exportação & Internacionalização, organizados pelo Novo Banco e pelo Negócios, em parceria com a Iberinform. O gestor sublinha que “um dos nossos objetivos estratégicos é dominar e controlar as matérias-primas para que, mediante uma estrutura produtiva inovadora e moderna, possamos trabalhar esses materiais segundo as estratégias de inovação que estão a ser implementadas na agricultura”. Rui Pedro Trincão de Oliveira é licenciado em Gestão pelo ISCTE e principal acionista da empresa familiar.
A empresa faturou cerca de 25 milhões de euros em 2025, mais 16,3% do que em 2024, ano em que faturou 21,5 milhões de euros, e prevê manter o crescimento nos próximos anos. A produção atingiu, em 2025, cerca de 360 mil metros cúbicos de casca e 40 mil metros cúbicos de substrato. O objetivo é chegar aos 600 mil metros cúbicos em 2030.
Orquídeas e frutos vermelhos
“Estamos a acompanhar o volume de faturação de 2025, apesar de todas as dificuldades e de um acréscimo muito significativo dos custos de transporte, que nem sempre é possível repercutir no cliente final”, refere. A empresa emprega atualmente cerca de 42 trabalhadores e prevê chegar a aproximadamente 55 em 2030.
O investimento é uma das componentes centrais da estratégia. Entre 2024 e 2028 estão previstos cerca de oito milhões de euros em equipamento, destinados a aumentar a capacidade produtiva e a preparar a empresa para a evolução do mercado.
A internacionalização continua a ser determinante. Cerca de 96% da produção é destinada à exportação e a Europa representa aproximadamente 65% das vendas externas. A Alfarroxo fornece casca de pinheiro para substratos destinados a orquídeas e desenvolve soluções para frutos vermelhos, incluindo mirtilos, framboesas e amoras.
A ambição é deixar de ser apenas uma empresa de valorização de um subproduto florestal para assumir uma posição mais ampla na cadeia dos substratos agrícolas.
A empresa tem uma quota de mercado de 25% dos substratos para a produção de orquídeas. Na Holanda, 40% das 130 milhões de orquídeas são produzidas com os seus substratos, e a empresa é fornecedora exclusiva do maior produtor de orquídeas dos Estados Unidos.
A empresa está a desenvolver mercados na Ásia, nomeadamente no Japão, em Taiwan e na China. “Se queremos crescer, é na Ásia. Estamos a articular uma série de parcerias para conseguir uma maior penetração nesses mercados, nomeadamente no Japão, onde já estamos presentes, em Taiwan e na China”, anuncia Rui Pedro Trincão de Oliveira. A estratégia passa igualmente pelo Médio Oriente e por uma maior especialização em culturas agrícolas, nomeadamente nos mercados de frutos vermelhos, como o mirtilo e a framboesa.
Fábricas na Índia
A diversificação das matérias-primas é outra frente de crescimento. Em 2026, a empresa adquiriu uma máquina com capacidade para produzir fibra de madeira segundo os parâmetros europeus, procurando combinar esta matéria-prima com a casca de pinheiro na produção de substratos. Mantém ainda três unidades na Índia para produção de fibra de coco e equaciona um investimento no Norte de África.
Em 2027 deverá arrancar outro projeto, de cerca de 3,15 milhões de euros, destinado à valorização de resíduos orgânicos para produção de matérias-primas para substratos. O objetivo é aumentar o controlo sobre a cadeia de fornecimento e integrar novos materiais no processo produtivo. A empresa aponta para 2029 como um ano de referência, prevendo um aumento acumulado de 40% do valor das vendas face a 2024. “A ambição é deixar de ser apenas uma empresa de valorização de um subproduto florestal para assumir uma posição mais ampla na cadeia dos substratos agrícolas, acompanhando uma agricultura cada vez mais profissionalizada e dependente de soluções técnicas”, conclui Rui Trincão de Oliveira.