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Alfarroxo acelera investimento e internacionalização

Com as crescentes restrições à utilização da turfa, Alfarroxo está hoje a construir uma empresa especializada em substratos e agricultura técnica baseada em matérias-primas como a casa de pinheiro, as fibras de madeira e de coco.

A Alfarroxo exporta 96% da produção e aposta em novas matérias-primas e nos mercados asiáticos para crescer.
A Alfarroxo exporta 96% da produção e aposta em novas matérias-primas e nos mercados asiáticos para crescer. DR
15 de Outubro de 2026 às 14:00
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“O principal desafio da Alfarroxo é conciliar a redução da utilização mundial de turfa - o produto mais utilizado na agricultura técnica, mas que tem sofrido enormes restrições devido à falta de sustentabilidade e à ausência de capacidade de regeneração - com a necessidade de encontrar alternativas fiáveis. A casca de pinheiro e a fibra de madeira podem responder a essa redução. É nesta área, associada ao desenvolvimento da agricultura e das culturas hidropónicas, que estamos a alavancar a estratégia da Alfarroxo”, diz Rui Pedro Trincão de Oliveira, CEO da Alfarroxo, empresa que em 2025 venceu a categoria Bens Transacionáveis-PME dos Prémios Exportação & Internacionalização, organizados pelo Novo Banco e pelo Negócios, em parceria com a Iberinform. O gestor sublinha que “um dos nossos objetivos estratégicos é dominar e controlar as matérias-primas para que, mediante uma estrutura produtiva inovadora e moderna, possamos trabalhar esses materiais segundo as estratégias de inovação que estão a ser implementadas na agricultura”. Rui Pedro Trincão de Oliveira é licenciado em Gestão pelo ISCTE e principal acionista da empresa familiar.

A empresa faturou cerca de 25 milhões de euros em 2025, mais 16,3% do que em 2024, ano em que faturou 21,5 milhões de euros, e prevê manter o crescimento nos próximos anos. A produção atingiu, em 2025, cerca de 360 mil metros cúbicos de casca e 40 mil metros cúbicos de substrato. O objetivo é chegar aos 600 mil metros cúbicos em 2030.

Orquídeas e frutos vermelhos

“Estamos a acompanhar o volume de faturação de 2025, apesar de todas as dificuldades e de um acréscimo muito significativo dos custos de transporte, que nem sempre é possível repercutir no cliente final”, refere. A empresa emprega atualmente cerca de 42 trabalhadores e prevê chegar a aproximadamente 55 em 2030.

O investimento é uma das componentes centrais da estratégia. Entre 2024 e 2028 estão previstos cerca de oito milhões de euros em equipamento, destinados a aumentar a capacidade produtiva e a preparar a empresa para a evolução do mercado.

A internacionalização continua a ser determinante. Cerca de 96% da produção é destinada à exportação e a Europa representa aproximadamente 65% das vendas externas. A Alfarroxo fornece casca de pinheiro para substratos destinados a orquídeas e desenvolve soluções para frutos vermelhos, incluindo mirtilos, framboesas e amoras.

A ambição é deixar de ser apenas uma empresa de valorização de um subproduto florestal para assumir uma posição mais ampla na cadeia dos substratos agrícolas. Rui Pedro Trincão de Oliveira, CEO da Alfarroxo

A ambição é deixar de ser apenas uma empresa de valorização de um subproduto florestal para assumir uma posição mais ampla na cadeia dos substratos agrícolas.

A empresa tem uma quota de mercado de 25% dos substratos para a produção de orquídeas. Na Holanda, 40% das 130 milhões de orquídeas são produzidas com os seus substratos, e a empresa é fornecedora exclusiva do maior produtor de orquídeas dos Estados Unidos.

A empresa está a desenvolver mercados na Ásia, nomeadamente no Japão, em Taiwan e na China. “Se queremos crescer, é na Ásia. Estamos a articular uma série de parcerias para conseguir uma maior penetração nesses mercados, nomeadamente no Japão, onde já estamos presentes, em Taiwan e na China”, anuncia Rui Pedro Trincão de Oliveira. A estratégia passa igualmente pelo Médio Oriente e por uma maior especialização em culturas agrícolas, nomeadamente nos mercados de frutos vermelhos, como o mirtilo e a framboesa.

Fábricas na Índia

A diversificação das matérias-primas é outra frente de crescimento. Em 2026, a empresa adquiriu uma máquina com capacidade para produzir fibra de madeira segundo os parâmetros europeus, procurando combinar esta matéria-prima com a casca de pinheiro na produção de substratos. Mantém ainda três unidades na Índia para produção de fibra de coco e equaciona um investimento no Norte de África.

Em 2027 deverá arrancar outro projeto, de cerca de 3,15 milhões de euros, destinado à valorização de resíduos orgânicos para produção de matérias-primas para substratos. O objetivo é aumentar o controlo sobre a cadeia de fornecimento e integrar novos materiais no processo produtivo. A empresa aponta para 2029 como um ano de referência, prevendo um aumento acumulado de 40% do valor das vendas face a 2024. “A ambição é deixar de ser apenas uma empresa de valorização de um subproduto florestal para assumir uma posição mais ampla na cadeia dos substratos agrícolas, acompanhando uma agricultura cada vez mais profissionalizada e dependente de soluções técnicas”, conclui Rui Trincão de Oliveira.

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