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Grupo DST: A construtora será líder em Portugal

O grupo, que já ultrapassou os 660 milhões de euros de faturação não consolidada, está cada vez menos dependente da construção, enquanto reforça posições em áreas como a indústria, energia, ambiente, ferrovia, telecomunicações e economia circular.

José Teixeira, Presidente do Grupo DST
José Teixeira, Presidente do Grupo DST DR
01 de Outubro de 2026 às 14:00
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O Grupo DST fechou 2025 com o melhor desempenho da sua história em crescimento, faturação e EBITDA e antecipa um novo recorde de negócios em 2026. José Teixeira, 66 anos, presidente do grupo, reconhece que os desafios são múltiplos, a começar pela necessidade de continuar a democratizar o processo de inovação, identificando oportunidades ainda não visíveis e criando serviços e produtos mais sustentáveis e de maior valor económico. Sublinha que esse processo deve também traduzir-se em mais emprego, melhores salários e benefícios.

A construção continua a ser uma atividade central no Grupo DST, mas representa hoje menos de metade do negócio. Em 2025, o grupo foi o vencedor do Prémio Especial do Júri dos Prémios Exportação & Internacionalização, organizados pelo Novo Banco e pelo Negócios, em parceria com a Iberinform. “Temos espaço para, no negócio da indústria da construção, em Portugal e apenas com a construtora DST, virmos este ano, provavelmente, a ser a empresa da área a operar no mercado português com maior faturação e passarmos a liderar o sector em Portugal. Se nas outras áreas mantivermos o equilíbrio com tamanha subida, é um desafio que nos deixa confortáveis”, afirmou José Teixeira.

O presidente do grupo explica que a lógica da diversificação “não é gula capital”. “Procuramos sempre negócios que tenham uma componente industrial. Interessam-nos negócios onde o ‘saber gerir’ ande de mãos dadas com o ‘saber fazer’. Neste ponto de partida, a diversificação nunca será demais”, afirma José Teixeira.

Estratégia e diversificação

Invoca a parábola bíblica dos talentos: “Recebemos um número de talentos, de outros de nós, e temos de os multiplicar para outros de nós e para melhorar a vida dos que trabalham e dos que passarão a trabalhar connosco”. Mas não deixa de considerar que o maior risco é “entrar numa área errada. Temos hesitado com a área da segurança. Não admitimos errar de forma desproporcionada. Há um conselho dos nossos pais que seguimos de forma draconiana: nunca invistas o que não podes perder”.

É uma estratégia que já levou a DST às energias renováveis, ao ambiente, às telecomunicações, ao imobiliário, ao capital de risco, às baterias, à construção industrializada e à ferrovia. Esta é uma área estratégica que se baseia num hub ferroviário na Pampilhosa para comboios próprios e para prestar também serviços de manutenção de veículos ferroviários. “Queremos também ganhar o terceiro concurso de alta velocidade e dois terços da alta velocidade em Portugal”, onde está no consórcio liderado pela Sacyr. Ganhou ainda, em consórcio com a Alstom, o contrato para 117 novos comboios da CP.

A transformação da construção passa também pela industrialização. A DST cria fábricas e está a desenvolver soluções modulares e industrializadas através da Zethaus e da Lyrical. “Somos uma empresa industrial e atravessamos o ‘fazer’ em toda a cadeia de valor da construção. Continuará a ser feita esta aposta e todos os anos abriremos novas fábricas”, garante José Teixeira.

Economia circular

Na habitação, a industrialização poderá permitir acelerar processos e reduzir custos, mas também alterar a própria natureza do produto, acelerar a construção e torná-la mais sustentável. “A casa vai ser fabricada e vendida como um produto. A alma é dos clientes e são eles que a levarão para a casa.” O grupo está ainda a desenvolver soluções para habitação colaborativa, estudantes, seniores e trabalhadores deslocados, já testadas na Suíça e na Alemanha, sendo casas “com rendas mais baixas e acessíveis”.

Incorporamos muitos resíduos que tratamos na nossa indústria. Há muitos materiais que cumpriram uma vida e cumprem uma nova noutra função. Isso tem valor social, moral e económico. José Teixeira, Presidente do Grupo DST

A economia circular é outra frente de crescimento porque, para José Teixeira, “as regras ambientais não são uma barreira”, mas uma oportunidade e um dever de respeitar a casa comum, e podem ter valor económico. A DST investe na reciclagem de baterias e na recuperação de matérias-primas, numa parceria com a chinesa CALB, que está a construir uma giga-fábrica de baterias em Sines, numa estratégia que José Teixeira associa diretamente à criação de valor.

“A reciclagem e a economia circular valem muito dinheiro no nosso dia a dia. Incorporamos muitos resíduos que tratamos na nossa indústria. Há muitos materiais que cumpriram uma vida e cumprem uma nova noutra função. Isso tem valor social, moral e económico”, afirma José Teixeira.

A expansão internacional completa esta transformação. A DST já gera mais de 100 milhões de euros fora de Portugal e continua a procurar mercados europeus, nomeadamente Luxemburgo, Suíça e Alemanha. “Continuaremos a procurar a Europa para crescer onde estamos e abrir novos mercados.”

Dados

Nº de trabalhadores (2025): 3 mil
Volume de negócios (2025): + de 660 milhões de euros
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