“Em 2026, prevemos manter a trajetória de crescimento e fechar o ano com um volume de negócios de 54 milhões de euros, mais 4,7% do que em 2025, com um peso crescente de receitas recorrentes e com a integração da RandTech a acrescentar um novo setor ao grupo”, afirma Daniel Araújo, CEO da Asseco PST, empresa que em 2025 recebeu uma menção honrosa na categoria Multinacional dos Prémios Exportação & Internacionalização, organizados pelo Novo Banco e pelo Negócios, em parceria com a Iberinform. Hoje, a empresa trabalha com mais de 60 bancos em oito países, procurando simultaneamente reforçar a presença internacional e acompanhar a transformação tecnológica da banca.
Daniel Araújo assinala que, nos serviços financeiros, nestas quatro décadas, se passou da informatização para a operação em tempo real, de forma contínua e cada vez mais inteligente, numa junção de quatro movimentos. O do tempo real, com pagamentos instantâneos, disponíveis 24 horas, “que obrigam todo o sistema, e não só o canal digital, a funcionar sem janelas de fecho”.
Depois, o core banking “deixa de ser um grande sistema monolítico que faz tudo e passa a tornar-se o núcleo sólido de uma arquitetura modular”, como analisa Daniel Araújo, e “passa a ser uma camada de serviços, APIs e integração que permite ao banco lançar produtos, ligar-se a parceiros e servir o cliente em canais digitais sem tocar no núcleo”. Assinala que “a cloud traz flexibilidade e escala - a nossa plataforma de core banking já está disponível em cloud -, mas a adoção é gradual, por razões regulatórias e de soberania dos dados, e em vários mercados africanos há exigências de localização da informação”, refere Daniel Araújo.
Mercados lusófonos
Por fim, a inteligência artificial, “que vai mudar tanto a forma como a instituição serve o cliente como a própria tecnologia financeira é construída e operada”, afirma Daniel Araújo. A que acresce a regulação da resiliência operacional, com o DORA (Digital Operational Resilience Act), que abrange a banca, os seguros e os mercados de capitais.
Como explica Daniel Araújo, “os mercados lusófonos ensinaram-nos a trabalhar em contextos exigentes, de volatilidade cambial, com infraestruturas por construir, uma regulação em rápida evolução e bancos que, muitas vezes, estavam a nascer ou a transformar-se profundamente”. Angola continua a ser o principal mercado externo, mas a estratégia passa também pelo crescimento noutros países africanos, como Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, e por geografias onde a dimensão dos bancos e a necessidade de proximidade podem favorecer a oferta da empresa, como a Namíbia e Malta.
Na sua estratégia, o limite natural não é geográfico, é de posicionamento. “A Asseco PST é mais relevante para instituições de pequena e média dimensão, em mercados onde a proximidade, a flexibilidade e o conhecimento local pesam face aos grandes fornecedores globais. Crescemos onde esse perfil é valorizado”, explica Daniel Araújo. Por isso, o modelo de gestão é federativo, com as empresas locais a manter a gestão e a proximidade com os clientes.
Impactos da IA
A inteligência artificial (IA) é outra das grandes frentes de transformação. Para o CEO, o impacto mais profundo não estará apenas nas aplicações que chegam ao cliente, mas na própria forma como o software é desenvolvido, testado, documentado e mantido. “A IA vai encurtar o ciclo de desenvolvimento, automatizar grande parte dos testes e transformar o suporte, mudando a economia dos projetos e a velocidade a que bancos e seguradoras podem evoluir.”
A adoção da tecnologia, contudo, não elimina a necessidade de conhecimento especializado. “A IA não substitui o conhecimento do negócio, amplifica-o”, sublinha Daniel Araújo. Por isso, a empresa está a preparar as equipas para reforçar competências em arquitetura de sistemas, dados, segurança, cloud e integração, ao mesmo tempo que desenvolve programas internos de adoção da IA.
A segurança e a resiliência são outros dos desafios. A resposta da empresa passa por separar os componentes que precisam de evoluir rapidamente do núcleo transacional, que exige estabilidade. “A instituição pode inovar na periferia sem pôr em risco o centro”, afirma o CEO. A entrada em vigor do DORA, que reforça as exigências sobre o risco associado aos fornecedores tecnológicos críticos, é vista pela empresa como uma oportunidade para diferenciar fornecedores com processos e estruturas mais robustos.