Indústria: SLM investe nove milhões para acelerar na carroçaria

O grupo de Oliveira de Azeméis, composto por três metalomecânicas, quer deixar de fabricar apenas as peças para a motorização, chassi e transmissão e entrar no “nicho de mercado” das peças estruturais.
Indústria: SLM investe nove milhões para acelerar na carroçaria
O grupo SLM emprega cerca de meio milhar de pessoas e recorre ao trabalho temporário “sempre que necessário”.
António Larguesa 20 de novembro de 2019 às 12:30
Com o objetivo de passar a produzir componentes para a carroçaria do veículo, em vez de fabricar apenas as peças destinadas à motorização, chassi e transmissão, o grupo Schmidt Light Metal (SLM) está a preparar um investimento de nove milhões de euros nos próximos três anos, que permitirá assim à empresa "responder a esse nicho de mercado" da produção de peças estruturais.

Esta é a principal novidade avançada ao Negócios pelo administrador, Filipe Villas-Boas, que é pai do treinador de futebol André Villas-Boas. Sem detalhar o nome do cliente em causa, este engenheiro adiantou ainda que, já durante este ano, a empresa também "[cotou] um conjunto de peças para um grande construtor alemão, que constituem o suporte da caixa de velocidades".


1989
Fundação
A empresa nasceu em 1989 pela mão de Hans Kupper e Ralf Schmidt, sabedores da qualidade nacional na produção de moldes e de peças.


Nascida em 1989 pela mão de dois alemães, a empresa produz desde o início componentes em alumínio por fundição injetada, maquinados, para a indústria automóvel. Aliás, a primeira encomenda foi uma peça para o grupo GM que inclusive deu origem ao logótipo da empresa na altura.

Volvidas três décadas, a atividade mantém-se. A diferença é que hoje em dia desenvolve o produto, produz moldes e tem uma capacidade de injeção e maquinagem muito superior à inicial. O grupo é composto por três metalomecânicas e uma gestora do espaço industrial. O trio de produtoras completa entre si todo o processo produtivo: a Autoconceptus produz os moldes, que são depois utilizados pela fundição SLM, onde as peças são produzidas; e a grande maioria delas são posteriormente maquinadas na DMM.


6
Produção
O grupo nortenho tem uma capacidade de fabrico anual a rondar seis milhões de peças.


Atualmente com três acionistas - Ralf Schmidt, Filipe Villas-Boas e Marc Schmidt -, o grupo soma cerca de 500 trabalhadores, recorrendo ao trabalho temporário "sempre que necessário". As instalações fabris estão situadas na zona industrial de Santiago de Riba Ul, em Oliveira de Azeméis, onde tem uma capacidade instalada para produzir cerca de seis milhões de peças por ano.

Os principais clientes são da indústria automóvel alemã, seja através das vendas diretas ao Grupo Volkswagen ou de outras empresas "tier one", que incorporam as peças em sistemas para marcas como a Porsche ou a Mercedes.


54,2
Vendas
No ano passado, o volume de negócios ascendeu a 54,2 milhões de euros. Em 2019 está prevista uma redução na ordem dos 5%.


Depois de ter fechado 2018 com uma faturação de 54,2 milhões de euros, Filipe Villas-Boas prevê terminar este ano com uma quebra na ordem dos 5%, face ao "abrandamento da produção automóvel na Europa, em particular na Alemanha". Quais são os segredos para singrar no mercado internacional? "Capacidade de desenvolvimento de produto, rapidez na apresentação de soluções inovadoras para satisfazer necessidades dos clientes e flexibilidade na produção", responde o gestor.

TOME NOTA

Do arranque alemão ao travão britânico

O Schmidt Light Metal Group surgiu apenas com esta designação depois da mudança na composição acionista provocada pela saída de um dos sócios fundadores. Outro abandono - o do Reino Unido em relação à União Europeia - obriga agora a empresa a repensar o plano de crescimento.

Berço alemão e alteração acionista
A empresa foi fundada em 1989 por Hans Kupper e Ralf Schmidt, dois alemães que foram desafiados por um fabricante automóvel para quem já trabalhavam a partir de solo germânico e que queria passar a ser fornecido por indústrias de outros países europeus - "em particular" a portuguesa, que já tinha alguma fama na produção de moldes e de peças plásticas. Em 2006, Hans Kupper vendeu a quota e o capital passou a ser partilhado entre Ralf Schmidt, Marc Schmidt e Filipe Villas-Boas. Esta saída deu origem à renomeação de uma das empresas, a SLM, Fundição Injetada e à criação do Schmidt Light Metal Group.

Brexit congela aposta no Reino Unido
Um dos objetivos que o grupo tinha traçado na estratégia de crescimento para o futuro era a entrada no mercado automóvel britânico, mas esse plano acabou por ficar comprometido pela incerteza provocada pela saída do Reino Unido da União Europeia, com a administração a aguardar ainda pela resolução definitiva do problema do Brexit, assim como pelas consequências. "Haverá depois um longo caminho para a indústria automóvel inglesa, que terá de decidir se mantém a sua produção em solo inglês, por exemplo. E só depois de haver uma definição destes produtores [é que] poderemos tomar a nossa decisão", explicou Filipe Villas-Boas.

Dos robôs às pessoas, indo além da peça
O grupo SLM fez grandes investimentos em robotização e automatização, passando agora o foco maior pelo desenvolvimento e reconversão dos trabalhadores para se adaptarem à velocidade dessa evolução tecnológica. Por outro lado, para reduzir a relação de dependência com determinados construtores - e, como acontece muitas vezes, o fornecedor de determinado componente é mesmo o único fornecedor desse mesmo componente -, o grupo de Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, tem apostado na capacidade de desenvolver uma solução para o cliente, em vez de se ficar apenas pela produção da peça em fundição injetada. "A solução, de A a Z, de montante a jusante, até à entrega da peça, é pensada, desenhada e produzida por nós", completou o gestor.




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