Francisco Palito e as acções que caem
Há algum tempo atrás, surgiu neste espaço uma nova personagem de ficção que simbolizava o investidor perdedor. Francisco Palito era o seu nome e hoje regressa ao nosso convívio para mais uma entrevista fictícia onde conseguimos perceber por que é um investidor perdedor.
Ulisses Pereira: Olá Francisco! Como tens passado desde a última entrevista?
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Francisco Palito: Tornei-me famoso a partir do momento em que apareci no Negocios, agora muitas pessoas me abordam e comentam as minhas ideias sobre os mercados.
Ulisses: E os negócios como têm corrido?
Chico: Tem dias. Se não fossem os manipuladores, eu teria ganho já muito dinheiro. Mas esses especuladores fazem o que querem do mercado…
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Ulisses: E esta crise em volta do Orçamento de Estado afectou as tuas decisões de investimento?
Chico: Mal saíram as notícias sobre o acordo entre o PS e o PSD para a aprovação Orçamento de Estado a ser aprovado, fui comprar várias acções na Bolsa portuguesa. E não é que as acções desatam a cair e tive que as vender uma semana depois?
Ulisses: Francisco, mas não viste que as acções subiram nas semanas que antecederam a esse acordo, antecipando-o? Aconteceu o que é normal nestas ocasiões, as acções subiram no rumor e depois venderam quando a notícia saiu. No momento em que tu e muitos pequenos investidores foram comprar as acções, havia um camião de acções que tinham sido compradas nas semanas antes que estava à espera para serem despejadas.
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Chico: Estás a ver? Eu bem digo! Quando perco dinheiro, a culpa é dos especuladores!
Ulisses: Vejo que continuas a atirar as culpas do teu insucesso para os outros. Mudando de tema, qual tem sido a tua estratégia de investimento? Ou dito, de outra forma, como seleccionas as acções que compras?
Chico: Vejo as acções que caíram mais e compro, pois são as que têm mais potencial de subida. Gosto especialmente das acções que estão em mínimos históricos.
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Ulisses: Então e as acções que estão em clara tendência ascendente e em máximos históricos?
Chico: Só se eu fosse maluco é que as comprava, estão caras demais!
Ulisses: Realmente, com essa forma de pensar deve estar a ser difícil o ano para o Chico. As acções com tendência ascendente, como a PT ou Jerónimo Martins têm tido óptimos desempenhos, enquanto as acções próximas dos mínimos históricos como a EDP Renováveis ou Martifer têm tido um desempenho muito fraco.
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Chico: Pura coincidência. A mim não me apanham a comprar acções a subir.
Ulisses: 2011 está aí à porta. Qual é a tua estratégia para o próximo ano?
Chico: Para mim, o momento mais importante do ano joga-se lá para Abril e Maio, altura em que as empresas começam a distribuir dividendos. Nessa altura, compro em força para ir arrecadar esses dividendos e depois vendo.
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Ulisses: Mas qual é o sentido dessa estratégia se quase todas as acções corrigem, na primeira sessão ex-dividendo, o valor desse mesmo dividendo?
Chico: Não compliques. Aliás, tenho visto os teus gráficos, com linhas malucas e já percebi que gostas muito de complicar. E agora, se não te importas, tenho que ir ver quais as acções que mais estão a cair para comprar mais algumas e baixar o preço médio.
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Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui
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