O mágico que não acreditava em magia
Ao desfolhar as primeiras páginas deste livro fica-se com a sensação que se trata de uma mera colagem aos livros de Robin Sharma, sobretudo "Sabedoria e Liderança". Os personagens principais são semelhantes, contando com um indivíduo bem-intencionado, mas cuja vida parece esvaziar-se, e um guia algo que surge de forma algo esotérica para ajudar o seu amigo. Os paralelismos não param por aqui: descreve-se um processo de descoberta guiada, em que o personagem principal - Peter (o mesmo nome do autor...) - vai recebendo cartas de baralho, cada uma com um ensinamento. Em "Sabedoria e Liderança" o monge entrega peças de um puzzle ao seu pupilo.
Estilos à parte, concentremo-nos no conteúdo de "O mágico que não acreditava em magia". Trata-se um livro muito fácil de ler e que não esconde a sua inspiração de base: os princípios da Programação Neurolinguística (PNL). Esses pressupostos são apresentados sequencialmente ao longo da narrativa, de forma integrada, ficando claro que o objectivo a cumprir é do desenvolvimento pessoal com vista à obtenção de melhores resultados.
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Há ideias muito interessantes no livro (e na PNL), que o leitor consegue captar com facilidade. Dessas merecem destaque o conceito de Congruência, Representações Internas e o Mmodelo de "Comunicação". As Representações Internas são as formas como o nosso sistema cognitivo interpreta a informação que surge através da interacção com o mundo. É fulcral ter a noção que essas são representações da realidade e não a realidade em si mesma, pelo que cada um pode ter uma representação diferente da mesma realidade. Essas RI são muito importantes porque condicionam os estados emocionais e, com eles, os nossos comportamentos. Já na comunicação, o mais importante é o que se obtém dela e não apenas o que se diz. Há que focar nos resultados da comunicação junto do outro e não numa perspectiva difusora.
"O mágico que não acreditava em magia" está algo desequilibrado entre a forma e o conteúdo, dado que é um livro com uma mensagem bastante interessante. Onde acaba por falhar é na colagem excessiva ao estilo Robin Sharma, que faz com que o leitor se sinta apenas a fazer uma releitura de obras já muito conhecidas..
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