Um sonho no Verão de S. Martinho
Evolução homóloga face ao ano anterior também revela uma aceleração de 1,6%. É uma excelente novidade, mas é cedo para embandeirar em arco. O turismo, que viveu a melhor época estival de sempre, e o excelente comportamento das exportações, associado a uma poupança brutal nas importações devido à redução do custo do petróleo, conjugaram-se para uma bonança inesperada.
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António Costa tem razões para estar feliz, apesar de o papel do Governo na melhoria dos números ter sido residual. Em seu favor pode reclamar a devolução de salários e rendimentos para alguma animação da procura interna, mas o mérito principal é externo, quer das exportações, quer do turismo.
O medo do terrorismo levou dezenas de milhares de estrangeiros que previam ir para o mediterrâneo oriental e até para o Norte de África, a escolher o Algarve. A procura externa, particularmente de Espanha, deu um impulso às exportações, que ainda foram inflacionadas por um negócio não recorrente, a venda de F16 usados de Portugal à Roménia.
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O motor externo tem algumas limitações. Há um número reduzido de empresas com capacidade de exportar. E dependemos excessivamente do mercado europeu, onde já se nota uma séria desaceleração (só assim se explica que Portugal tenha um PIB mais dinâmico do que os seus parceiros, com apenas 0,8%).
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E no motor interno, a redução do desemprego ainda é demasiado lenta para aquecer a procura das famílias.
O ritmo de crescimento no terceiro trimestre é um belo sonho, mas arrisca a ser ainda mais fugaz do que o Verão de S. Martinho.
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Director-adjunto do Correio da Manhã
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