Portugal precisa de uma ruptura geracional... e mental
Este é o retrato do Portugal democrático e das suas finanças públicas. "Então o que nos resta? A Ditadura?", perguntará o leitor. Não. O que nos resta é um confronto com o nosso Destino: abstrair-nos da conjuntura para pensarmos naquilo que, estruturalmente, está mal. E que, volta e meia, nos atira para rupturas de pagamentos. Como aconteceu em 1892 (verdadeira bancarrota) e 1978, 1983 e 2011 (pré-ruptura).
Quando se olha para o problema com distanciamento, há uma coisa que salta à vista: a nossa governança é medíocre. Alguma coisa está mal com um sistema que não aprende com os erros. E já são muitos: em 35 anos foram três momentos de pré-ruptura de pagamentos!
PUB
O mínimo que podíamos esperar é que tivéssemos aprendido alguma coisa com essas quase-bancarrotas. Como se viu em Março de 2011 não só não aprendemos como temos meia classe política a defender políticas que, se aplicadas, terminariam numa 4.ª pré-bancarrota.
Como mudar isto? Mudando mentalidades (é esse o desafio do livro "Saiam da Frente!"): de nada adiantará fazer sacrifícios brutais, como os que estamos a fazer agora, se, quando livres do polícia que temos à porta, voltarmos a dar "shots" na veia. Estou certo que a maioria dos leitores estará agora a perguntar como é que se faz isso. Porque as tentativas já feitas (criar novos partidos) não serviram para nada…
É verdade. Mas o caminho tem de ser outro: mudar os partidos (existentes) por dentro. Essa missão tem de ser precedida por outra: mudar a mentalidade do cidadão comum (não das elites – essas são indigentes). Sim, daquele a quem chamamos depreciativamente "Zé povinho". Enquanto esse cidadão não mudar o "chip" e entrar em modo de "exigência" (para com a classe política) o país não muda.
PUB
É difícil fazer isso? É. Desde logo porque leva tempo. E porque isso implica, também, perdermos o temor pelos políticos que fizeram a Democracia, mas não souberam fazer o Desenvolvimento. E que se continuam a arrastar por aí como se fossem os donos do nosso Destino. Quais pais com filhos que já entraram nos trinta, mas a quem querem determinar as escolhas…
PUB
Mais Artigos do autor
Mais lidas
O Negócios recomenda