O político e o tecnocrata
É claro que haverá sempre alguém a dizer que a tecnocracia tem de ter uma base política (no sentido de legitimidade). Ninguém contesta isso. O que se contesta é o recurso ao "político" por tudo e por nada. E, sobretudo, para deixar tudo na mesma.
A frase...
"O reformador é um político que não pode dispensar a opinião dos tecnocratas" .
Miguel Cadilhe, in "Expresso" de 22 de Junho de 2013.
A análise...
Em Portugal temos o hábito de desprezar os tecnocratas e privilegiar (senão mesmo endeusar) os políticos. Tudo tem de ser político, dizemos. E tudo quanto é tecnocrata deve ser submetido à "autoridade" da política. Uma ideia muito querida à Esquerda, mas também a uma certa "direita socialista".
Felizmente vai havendo quem contrarie esta lógica (que de lógica tem muito pouco...). Miguel Cadilhe é um deles. Na entrevista que deu esta semana ao "Expresso", põe o dedo na ferida: "Qualquer ministro das Finanças precisa de uma boa dose de tecnocracia. Ser político não dará bom resultado". E complementa: "O reformador é um político que não pode dispensar a opinião dos tecnocratas".
É bom que vão existindo pessoas com a coragem e o peso de Cadilhe (um dos ministros que tomaram mais medidas estruturais enquanto esteve no Terreiro do Paço) para dizerem coisas destas. Até porque este excesso de primazia do "político" sobre o "tecnocrata" é um dos maiores problemas da 3.ª República Portuguesa (pessoalmente estou convencido que as três bancarrotas que levamos no bucho têm muito a ver com isto): como fazer uma reforma do Estado, para recorrer a um problema actual, sem recorrer a uma "boa dose de tecnocracia"?
É claro que haverá sempre alguém a dizer que a tecnocracia tem de ter uma base política (no sentido de legitimidade). Ninguém contesta isso. O que se contesta é o recurso ao "político" por tudo e por nada. E, sobretudo, para deixar tudo na mesma.
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