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Eduardo Cintra Torres eduardocintratorres@gmail.com
06 de Julho de 2016 às 20:50

[667.] Moss Eyewear

A marca de óculos Moss apresentou fugazmente no começo do Verão dois anúncios eficazes e bem conseguidos.

Publicitou os seus modelos de óculos escuros para homem e mulher com dois anúncios de percepção simples e, por isso mesmo, chamando a atenção da minha lupa analítica.

Os anúncios parecem cartazes. Em cada um, a imagem ocupa quase a totalidade da superfície vertical. A bordadura em branco fez de moldura, como o passe-partout de um quadro, que se aproveitou para a mensagem escrita, reduzida ao mínimo. Inclui o logótipo da marca e o logótipo do Grupo Optivisão, que tem o exclusivo.

A imagem é um híbrido de design e fotografia. A cabeça de um homem num anúncio e de uma mulher no outro, sem roupa na parte visível do pescoço e do início do tronco. São retratos a três quartos, para se ver o necessário dos óculos: as duas lentes e um dos lados da armação. Sobre a fotografia de cada um deles aplicou-se um véu de um amarelo intenso, simulando a luz do Sol. Essa cor ocupa não só a fotografia do modelo como a totalidade do fundo da imagem.

Sobre a cabeça e parte do corpo de cada um aplicou-se ainda um desenho. No caso dele, são folhas de palmeiras estilizadas, visíveis, em modo realista, no reflexo das lentes dos óculos. No caso dela, acentuou-se o realismo (ficando por isso menos conseguido artisticamente), usando-se uma fotografia dum deserto, talvez porque o cabelo do modelo, pela sua dimensão, permitia usá-lo com superfície para servir de "reflexo" da paisagem. Em vez do amarelo dum sol intenso, aqui o amarelo é torrado, da cor da areia do deserto.

Com as cores fortes e as imagens sobrepostas, os modelos dissolvem-se, misturam-se com os amarelos como se estivessem num local que não vemos: mas eles reflectem-no, eles são o próprio local, eles como que são as suas próprias férias.

Todavia, os óculos escuros usados por cada um dos modelos não estão filtrados com as camadas de imagens amareladas. Estão, ou ficam, hiperdefinidos na imagem, em grande destaque, efeito que as armações pretas e as lentas escuras e semiespelhadas acentuam. E, assim, este homem e esta mulher nas imagens estão presentes, mas simultaneamente apagados pela definição e domínio visual dos óculos que, sendo escuros, se mostram escuros. Vendo com atenção, parece que as fotografias dos óculos foram sobrepostas sobre as imagens já trabalhadas dos modelos, mas os observadores comuns dos anúncios não reparam ou não se incomodarão com o pormenor. Os anúncios conseguem, assim, ser eficazes na mostração dos produtos anunciados através de imagens visualmente atraentes.

Esta publicidade portuguesa poderá ter-se inspirado na solarização, velho efeito da fotografia analógica, dadas as semelhanças nos resultados, aqui através de software digital. A polarização foi muito utilizada por fotógrafos modernistas ou surrealistas, nomeadamente em retratos, como estes anúncios são. É o caso do retrato de Marie-Laure de Noailles, por Man Ray (1936). O próprio nome do efeito - solarização - adequa-se ao tema dos anúncios: o uso de óculos escuros sob a luz intensa do Sol. À viscondessa de Noailles, musa dos surrealistas, só lhe faltaram os óculos escuros.

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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