Jorge Fonseca de Almeida 13 de Abril de 2016 às 00:01

Estratégia direta ou indireta?

O grande historiador militar e estratego Liddell Hart, praticamente desconhecido das elites empresariais portuguesas, no seu monumental estudo das guerras desde a antiguidade até à Segunda Guerra Mundial, concluiu que há dois tipos de estratégias possíveis: uma direta e outra indireta.

A estratégia direta, a preferida pela maior parte dos generais, consubstancia-se na concentração de forças materiais e humanas esmagadoras com as quais se procura ativamente o combate por forma a desferir um golpe fatal nas forças inimigas. Esta estratégia leva a um enorme desgaste de materiais, perdas humanas e raramente conduz à vitória já que quem defende tem vantagem sobre o atacante.

 

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Em contraste, a estratégia indireta evita o combate e através da surpresa, da mobilidade, da ação psicológica, da procura constante de perturbar ou cortar as comunicações, a cadeia de comando e controlo, as rotas de abastecimento ou de recuo do inimigo, intenta desequilibrá-lo, minar a vontade de combater quer dos dirigentes quer dos soldados. Procura dessa maneira desequilibrá-lo ganhando uma posição de tal superioridade estratégica que esta só por si decida a contenda ou, se finalmente se dá o combate, este estará antecipadamente ganho.

 

Estes ensinamentos foram absorvidos por forças armadas de muitos países, veja-se a guerra da Nato contra a Sérvia que foi decidida sem uma única baixa do lado atacante.

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No mundo empresarial também são possíveis estratégias diretas e indiretas. As estratégias diretas consubstanciam-se também no uso concentrado da força, como é o caso das guerras de preços ou da utilização intensa da publicidade em produtos indiferenciados. Esta estratégia leva ao desgaste dos contendores, à drenagem de recursos, ao esmagamento de margens e salários e, no final, à exaustão e provavelmente ao aniquilamento da maioria dos intervenientes.

 

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A estratégia indireta, pelo contrário, procura a surpresa, pela inovação, a mobilidade, pela diferenciação e pelo posicionamento, evita o confronto direto, preservando margens e salários, e tem sérias possibilidades de sair vencedora.

 

Em Portugal, muitos setores empresariais, do vinho, aos têxteis, dos bancos às peças para automóveis, deixaram-se aprisionar num confronto direto em que se estão a sangrar mutuamente sem ganhos para ninguém. A esta armadilha chamam "indiferenciação do produto" ("commoditization") sem se aperceberem de que são os próprios empresários e gestores destes setores os únicos responsáveis por essa indiferenciação.

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É, pois, tempo de os empresários e gestores, públicos ou privados, que queiram ter sucesso começarem a estudar novas estratégias empresariais menos diretas e mais eficazes.

 

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Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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