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Opinião
Manuel Falcão 11 de Dezembro de 2015 às 09:33

A esquina do Rio

Daqui a pouco mais de um mês realiza-se a primeira volta das eleições presidenciais. Sobre ela paira o espectro de um Governo feito em circunstâncias pouco usuais

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Back to basics
Os partidos políticos não são todos iguais. Só quando chegam ao poder.
Pedro Santos Guerreiro

Dixit
Trágico movimento o dos que julgam amar o poder, quando só amam os seus conflitos! São muito menos de temer os que amam o poder do que aqueles que só o servem.
Agustina Bessa-Luís

Presidentes
Daqui a pouco mais de um mês realiza-se a primeira volta das eleições presidenciais. Sobre ela paira o espectro de um Governo feito em circunstâncias pouco usuais e que reflecte uma leitura diferente, mas possível, dos resultados eleitorais das legislativas, num corte súbito em relação ao que era feito desde há quatro décadas. Por isso, veio para primeiro plano a definição daquilo que os candidatos pretendem fazer deste Governo, o que é, no mínimo, um exercício redutor - e perigoso - sobre a função presidencial. Os candidatos presidenciais não apresentam, por definição, um programa político - defendem um comportamento face à evolução da situação social e da realidade nacional, uma metodologia para que o regime funcione dentro do descalabro crescente do sistema político, do descrédito dos partidos e, se possível, que se consiga conquistar para a participação cívica, a começar pelo voto, as gerações mais novas que não vêem à sua volta grandes motivos de júbilo nem de participação. Ora, este ponto - o do voto das gerações - é, no caso das presidenciais, absolutamente crucial. Quem conseguir mobilizar o eleitorado abaixo dos 35 anos pode subverter as tradicionais maiorias sociológicas do voto, os dogmas instalados e exercer um mandato diferente. Estamos sobretudo a falar daquilo a que os americanos chamam a geração Z, criada já no mundo digital. São eles, se votarem, que podem alterar o jogo tradicional. Mas isso só acontecerá se os candidatos conseguirem comunicar com esses eleitores - e, do que vejo a ser feito, ninguém está a trabalhar neste assunto.

Semanada
• A Frente Nacional ganhou a primeira volta das eleições regionais francesas menos de um mês depois dos atentados de Paris a greve do Metro foi desconvocada dando o primeiro sinal de como vai ser o jogo do gato e do rato entre sindicatos e Governo PS  todos os meses, dão entrada na Procuradoria-Geral da República cem novos casos de corrupção  o Bloco de Esquerda anunciou pretender assento no Conselho de Estado  o PCP ficou publicamente calado sobre o tema  o PS deseja que a sua área política eleja três membros do Conselho de Estado  o PS precisa de negociar à direita para efectuar diversas nomeações para cargos políticos  o óscar da hipocrisia foi para o sorridente aperto de mão do ministro Mário Centeno com Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo  os parceiros comunitários indicaram a Mário Centeno, na reunião do Eurogrupo, a necessidade da redução do défice português  o risco do crédito malparado no Sul do país supera os 30% e é quase o dobro da média nacional - um terço das empresas algarvias com empréstimos não paga à banca  Pacheco Pereira foi desafiado a sair do PSD por ter estado num debate com a candidata presidencial do Bloco  numa entrevista, Pacheco Pereira elogiou Marcelo Rebelo de Sousa  Marcelo disse que "faria o possível para o Governo ser duradouro"  ao longo do ultimo quarto de século, os Governos alteraram impostos 19 vezes por ano  o poder de compra em Lisboa é 45,5% inferior ao de Nova Iorque  23% dos portugueses entre os 64 e 74 anos utilizam regularmente o computador  600 pessoas foram ver Cicciolina, de 64 anos, a despir-se, em Lisboa, no Café Teatro Santiago Alquimista  o álbum "Rubber Soul", dos Beatles, fez 50 anos.

Folhear
Há meses que vou seguindo no Facebook uma página intitulada "Humans Of New York". A página do Facebook deriva, por sua vez, de um blogue. O seu autor, Brandon Stanton, tem vindo a desenvolver este trabalho há cinco anos. "Humans of New York" começou por ser um projecto de fotografia e depois evoluiu para um local onde se contam histórias de quem vive na cidade. Ao longo de cinco anos, foram mais de dez mil fotografias, muitas delas com pequenas histórias sobre os fotografados. Stanton conta que muitas vezes fica a conversar 15 a 20 minutos depois de cada fotografia para perceber o que pode escrever sobre cada pessoa. O que ele faz é contar histórias de pessoas que lhe são completamente estranhas e que encontra por acaso nas ruas. Numa cidade como Nova Iorque há gente de todo o mundo e o blogue, a página do Facebook e o segundo livro que daí saiu, publicado há pouco tempo, e que é o motivo destas linhas, fala disso mesmo. Se o primeiro livro era quase só fotográfico, este é um repositório de histórias e de imagens, bem diferente. O blogue e as redes sociais de "Humans Of New York" são seguidos diariamente por mais de 15 milhões de pessoas em todo o mundo. "Humans Of New York - Stories", o livro, com cerca de 400 páginas, foi editado há poucos meses pela St. Martin's Press e é um dos melhores exemplos da ligação cada vez maior entre o online e o offline e de como ambos os mundos se podem cruzar e complementar. Está disponível na Amazon inglesa. Resta dizer que Brandon Stanton foi considerado uma das 30 pessoas mais influentes na Internet pela revista Time. Termino com uma citação de um dos fotografados: "O melhor de Nova Iorque é que, se ficarmos tempo suficiente sentados num mesmo local, parece que o mundo inteiro vem ter connosco".

Gosto
Sobrinho Simões foi considerado o patologista mais influente do mundo.

Não gosto
Portugal queimou 700 milhões de toneladas de combustíveis fósseis em 125 anos.

Provar
A Touriga Nacional é uma das castas portuguesas de uvas mais importantes e daquelas que tem uma individualidade mais marcada nos vinhos em que é utilizada. José Bento dos Santos, o produtor dos vinhos da Quinta do Monte D'Oiro, é um homem dado a desafios. Daí veio a ideia de fazer um vinho - o Aurius - que utilizasse primordialmente a casta nacional e incorporasse outras estrangeiras, inicialmente Syrah e Petit Verdot, e, mais recentemente, apenas Touriga Nacional e Syrah, que são a matéria-prima do Aurius 2011, agora lançado no mercado. A Touriga é dominante e bem presente, o Syrah dá-lhe um toque inesperado e o resultado é surpreendente. O vinho foi elaborado apenas com uvas da propriedade, sob a orientação da enóloga Graça Gonçalves, com o apoio técnico de Grégory Viennois, que tem acompanhado a produção da Quinta do Monte D'Oiro. O vinho foi feito por vindima manual com desengace sem esmagamento, fermentação em cubas de inox e estágio de 14 a 16 meses em barricas de carvalho francês, das quais um terço eram novas, a estrear. Foram produzidas 4.000 garrafas. Vai ficar a ganhar se o provar.

Arco da velha
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse que o actual Governo é da responsabilidade do PS, rejeitando que possa ser considerado como um Governo de coligação ou de esquerda.

Ouvir
Sérgio Godinho e Jorge Palma são dois dos músicos portugueses mais marcantes das últimas décadas. As suas canções são conhecidas por várias gerações e muitas delas merecem figurar no lote do que de melhor se compôs em Portugal. O facto de os dois, que são personalidades diferentes, com estilos musicais diversos e abordagens poéticas distintas, se terem juntado para um concerto conjunto é um desafio que ultrapassa a mera soma de talentos. "Jorge Palma & Sérgio Godinho - Juntos ao Vivo no Theatro Circo" foi gravado em Setembro deste ano em Braga e foi agora editado pela Universal. Inclui 17 temas, 9 de Sérgio Godinho e 8 de Jorge Palma, todos com a participação do mesmo grupo de seis músicos que, através da interpretação que fazem, muitas vezes distante das canções originais, contribuem para que este disco seja um bom exemplo de uma gravação ao vivo exemplar. Devo dizer que nos últimos dias este CD está no primeiro lugar dos mais ouvidos cá em casa. Há uma edição especial que inclui um DVD com a gravação vídeo do concerto.

Ver
A Magna Carta foi elaborada em 1215 em Inglaterra pelo Rei João e hoje em dia é tida como o pilar da democracia. Foi graças a ela que, séculos mais tarde, em 1628, se garantiu que os impostos deviam ter aprovação parlamentar, que não se podiam fazer prisões de forma arbitrária, que toda a gente tinha direito a um julgamento e que os poderes do Estado têm que ter limites. É pois particularmente simbólico, e uma feliz coincidência, que por estes dias um exemplar do original da Magna Carta esteja em exposição em Lisboa, na Torre do Tombo. Era bem bom que os dirigentes partidários percebessem a essência do histórico documento: o Poder tem limites - uma descoberta que está por fazer, na generalidade dos casos, em Portugal. A passagem do documento por Lisboa, onde chegou no início da semana, prolonga-se apenas até dia 12, mas a sua exibição foi pretexto para que dela se falasse e para que muitos protagonistas políticos, que a desconhecem ou, conhecendo-a, a ignoram, fossem confrontados com a sua existência e o seu significado.

Outra sugestão: uma exposição de fotografias dedicada a autores, intérpretes e músicos do Fado - são, ao todo, 128 imagens de outras tantas personalidades. Chama-se "Álbum de Família", parte de um trabalho de Aurélio Vasques, e está no Museu do Fado, Largo do Chafariz de Dentro nº1.

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