Álvaro Nascimento 22 de Fevereiro de 2017 às 20:40

Desafios do crescimento

Juntando a volatilidade da balança de serviços - por força da conjuntura internacional - o ano de 2017 vai ser um ano de grandes desafios para financiar o investimento!

A FRASE...

 

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"O ministro das Finanças, Mário Centeno, prevê que o investimento continue a crescer em 2017, e considera que a economia portuguesa 'está dotada de sólidos alicerces' para garantir um crescimento económico sustentado."

 

Lusa, Jornal de Negócios, 18 de Fevereiro de 2017

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A ANÁLISE...

 

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Segundo as estatísticas recentes, a economia portuguesa acumulou um crescimento de 1,4% em 2016. Os resultados são globalmente positivos, mas subsistem fatores de preocupação. O crescimento do PIB continua ancorado na procura interna, e num baixo esforço de poupança. A aceleração verificada no último trimestre do ano tem a agravante de responsabilizar o consumo privado - não o investimento - pelo bom desempenho.

 

O crescimento do PIB - que ocorre ininterruptamente desde o último trimestre de 2013 - e a sua composição refletem os desequilíbrios estruturais e a fragilidade da economia. O défice da balança comercial (excluindo combustíveis) agrava-se ano após ano, em crescendo. O saldo de 2016 foi negativo em 7,6 mil milhões de euros, mais do dobro de 2013. Neste contexto, tem competido à balança de serviços - leia-se, o turismo, que viu as dormidas de não residentes crescer 11,4%, em 2016 - o papel de equilibrar as contas externas.

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A fragilidade revela-se nos insuficientes níveis de poupança interna. Com as importações a superar as exportações, o país necessita do exterior para se financiar (i.e., a poupança externa). Em 2016, o endividamento externo não registou maior crescimento porque o investimento e o défice orçamental foram reprimidos. Todavia, continuando os atuais padrões de despesa pública e privada, a resolução de problemas estruturais, por via da retoma do investimento, vai exigir nova capacidade de dívida, a menos que o turismo reforce o desempenho positivo e os estrangeiros se interessem por investir diretamente em Portugal.

 

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Os fundos disponíveis para Portugal não são abundantes. As taxas de juro revelam que os investidores estrangeiros exigem elevadas taxas de remuneração para os seus projetos. Juntando a volatilidade da balança de serviços - por força da conjuntura internacional - o ano de 2017 vai ser um ano de grandes desafios para financiar o investimento!

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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