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Pedro Fontes Falcão 14 de Janeiro de 2020 às 19:40

Livre para errar?

Então será que a escolheram por ser uma pessoa leal e fiel ao partido que a elegeu? Vendo as “guerras internas” entre Joacine e o Livre, a imagem que surge (justa ou injusta) é que ela não parece leal ao seu partido.

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Ao ver as notícias sobre a apresentação de uma moção ao congresso do partido Livre para retirar confiança política a Joacine Katar Moreira, por ter conduzido "à degradação da imagem pública e da credibilidade do partido", questiono-me como se chegou a este ponto?

Sei que se pode dizer que em retrospetiva é sempre mais fácil criticar os outros. Mas se isso é verdade, porque é que não nos procuramos "transportar para o futuro" e olhar para trás antes de tomarmos uma decisão importante? Ou seja, porque não tentamos olhar para a decisão que vamos tomar pondo-nos numa posição "em retrospetiva", e assim tentar evitar certos erros?

Neste caso, o Livre não o deve ter feito. Senão, porque é que o Livre escolheu Joacine? Ora se a palavra parlamento vem do francês "parler", que significa "falar" ou "discursar", então porque escolher uma pessoa gaga? Alguém pode contestar usando um argumento que ela pensa e/ou escreve bem (não interessa neste caso se é verdadeiro ou falso). Mas mesmo assim não faz sentido. Seria quase como escolher um coxo bom treinador de futebol para jogar na equipa.

Então se não faz sentido ser gaga, escolheram-na por ser de raça negra? É ótimo termos maior diversidade racial no Parlamento, mas porque selecionaram uma gaga e não uma senhora negra não gaga?

Então será que a escolheram por ser uma pessoa leal e fiel ao partido que a elegeu? Vendo as "guerras internas" entre Joacine e o Livre, a imagem que surge (justa ou injusta) é que ela não parece leal ao seu partido.

Então foi escolhida por ter bom senso e não ser conflituosa? Pelas "guerras" que tem feito, desde pedir escolta sem ter direito a isso a querer apagar uma foto pública, não me parece que foi por isso.

Assim sendo, se o Livre a escolheu apenas porque achava que uma senhora negra e gaga conseguiria angariar-lhe mais votos (o que realmente aconteceu pela divulgação mediática que ela teve, com parte do mérito atribuído a ela), sem pensar minimamente em quem na realidade tinham escolhido para cabeça de lista, o partido agora não se deveria vir queixar do erro que cometeu. Bastava tentar ver "em retrospetiva" como seria Joacine como deputada, para perceber que ela não era a escolha certa para o Livre. Aliás, as sondagens e as muitas críticas assim o mostram.

É verdade que a subvenção pública obtida pela eleição de uma deputada seja significativa para um pequeno partido como o Livre, mas, olhando para o futuro, a que custo foi obtido?

Em situações, pessoais ou profissionais, sugiro tentar olhar "em retrospetiva" para as consequências das decisões que vai tomar. Pode ser que ajude… 

 

Gestor e Docente Universitário

 

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