Teresa Damásio
Teresa Damásio 01 de agosto de 2018 às 20:37

A formação e o futuro da educação em Portugal

Quando folheamos os jornais, e não são só os económicos, percebemos que as mais diversas organizações estão a promover cursos de formação para poderem a posteriori recrutar os seus colaboradores para as áreas em referência.

Poderemos questionar o porquê de tais ações de formação quando há tantas instituições de ensino, nos vários níveis do sistema educativo nacional, a ministrar diferentes cursos que outorgam aos alunos e/ou aos formandos qualificações diferenciadas.

 

Será que há uma distorção entre a oferta e a procura, o que faz com que as empresas não consigam recrutar os trabalhadores que pretendem e que haja milhares de estudantes a concluir cursos para os quais não há emprego ou ao invés será que há cursos com elevadas taxas de empregabilidade e com remunerações brutas bastantes satisfatórias, mas que são desconhecidas da maior parte da população estudantil portuguesa? Será que o apoio psicológico e orientação escolar e profissional que existe nas escolas, ao abrigo da Lei de Bases do sistema educativo e que está previsto no artigo 29.º "Apoio psicológico e orientação escolar e profissional" e que estatui "O apoio no desenvolvimento psicológico dos alunos e à sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às atividades educativas e ao sistema de relações da comunidade escolar, realizado por serviços de psicologia e orientação escolar profissional inseridos em estruturas regionais escolares" deverá ser generalizado a todo o ensino básico e acompanhar a escolaridade obrigatória? Para isso, seria necessário aumentar o número de psicólogos nas escolas e o seu nível de intervenção em contexto escolar.

 

Em 2007, com a aprovação do sistema nacional de qualificações, houve a intenção por parte do Governo de promover a articulação entre a formação profissional e o sistema educativo, inserida no mercado de trabalho, estabelecendo objetivos e instrumentos comuns. Aparentemente o enquadramento legal e institucional existe, mas importa perceber porque estão as empresas a substituir-se às escolas ao organizar formações em áreas específicas. Ao existir de forma tão massificada esta panóplia de cursos devemos questionar acerca do que está a falhar na ligação da escola ao mercado de trabalho, bem como na orientação escolar. Simultaneamente, é evidente que se deverá continuar a intensificar a relação entre a escola e as empresas para que haja desde cedo uma aproximação dos alunos ao mercado de trabalho. Claro que já há diferentes programas de estágios e formação "in house" que promovem isso, mas os dados estão lançados e temos de aprofundar esta relação, sob pena de termos uma oferta educativa distorcida em relação à procura e a divergir dos gostos e das apetências dos estudantes.

 

Em todos os países, as políticas públicas no domínio da educação ocupam um lugar central na definição das estratégias que visam o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável. Portugal tem ao longo dos últimos anos encetado reformas estruturais, tanto no ensino superior como no ensino não superior, que em muito nos beneficiaram e foram a causa de progressos assinaláveis. No entanto, há áreas onde é preciso ir mais além e a orientação escolar profissional é claramente uma delas.

 

Administradora do ISG | Instituto Superior de Gestão e do Grupo Ensinus

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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