O futuro das universidades e como a Nova SBE o quer liderar
As universidades sempre foram instituições de adaptação lenta, mas que hoje enfrentam um desafio tremendo: ou se transformam ou correm o risco de se tornar irrelevantes. A Inteligência Artificial (IA) não está apenas a mudar ferramentas, está a mudar o próprio significado de aprender e ensinar ou os métodos de produzir novo conhecimento.
O primeiro grande desafio é o modelo pedagógico. Durante décadas, a universidade baseou-se na transmissão de conhecimento. Este modelo perde relevância quando qualquer estudante pode recorrer à IA para obter explicações, resolver problemas ou gerar textos em segundos. O foco desloca-se inevitavelmente para competências mais exigentes: pensamento crítico, capacidade de questionar, criatividade e julgamento.
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Um segundo desafio é a avaliação. Se os alunos podem usar IA para produzir trabalhos, como garantir autenticidade? Os métodos tradicionais tornam-se frágeis. As universidades terão de investir em formas de avaliação mais exigentes e mais próximas da realidade.
E o papel do professor também muda. O docente deixa de ser a principal fonte de conhecimento e passa a ser um guia da discussão crítica. Por exemplo, quando um aluno recorre a ferramentas de IA para gerar uma resposta, o valor deixa de estar apenas na produção de conteúdo e passa a estar na capacidade de avaliar a qualidade, fiabilidade e origem da informação. Isto torna essencial saber analisar fontes e distinguir conhecimento rigoroso de conteúdo meramente plausível.
Há ainda a questão do valor do diploma. Num mundo onde o conhecimento é amplamente acessível, o diploma precisa de sinalizar mais do que acesso à informação.
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Outro risco é o da desigualdade. A IA pode democratizar o acesso ao conhecimento, mas também pode ampliar diferenças entre quem sabe utilizá-la bem ou mesmo quem não tem acesso às ferramentas.
No fundo, a questão essencial é: o que significa saber num mundo onde as máquinas respondem a quase tudo? Qual é o papel das universidades na produção e disseminação de conhecimento?
Na Nova SBE temos vindo a refletir sobre estas questões e estamos a desenvolver, com parceiros académicos nacionais e internacionais, o conceito de escola do futuro e de “sandbox”, um motor permanente de experimentação onde ideias, de toda a comunidade Nova SBE, são testadas com recursos reais, em condições reais, e com uma avaliação séria do que funciona e do que falha.
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É precisamente este tipo de debate (ambicioso, concreto e orientado para soluções) que queremos pôr no centro da conferência “The Future of Universities”, que a Nova SBE está a coorganizar com o Digital Data Design Institute da Nova SBE e NOVA Medical School e o Digital Data and Design Institute da Universidade de Harvard (D3 at Harvard), a 30 abril de 2026, no ‘campus’ da Nova SBE. O programa inclui intervenções de Cláudia Sarrico (secretária de Estado do Ensino Superior), Francisco Veloso (diretor do INSEAD), Karim Lakhani (Harvard Business School), Ashley Whillans (Harvard Business School), Ikhlaq Sidhu (Dean do IE), Pedro Santa Clara (42 Lisboa e Tumo), Pedro Ferreira (Carnegie Mellon University), Nathalie Crutzen (HEC Liège), Céline Abecassis-Moedas (UCP), Enno Siemsen (U. Wisconsin) e Manuela Veloso (Carnegie Mellon University).
Este evento é aberto à comunidade, e convidamos todos os que queiram juntar-se ao debate aqui.
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