A morte de Arafat
Uma convulsão política aguarda que Arafat morra para tomar conta da Palestina. Porque a existência de Arafat não só unia as inúmeras facções que se agrupam na OLP como moderava as organizações mais radicais.
E porque, morto Arafat, o seu espírito, e a sua herança, permanecerão longamente ainda entre os palestinianos, influenciando o comportamento daqueles que visam ocupar o espaço deixado vazio.
Numa sociedade em que o Estado praticamente não existe, como é o caso da Palestina comparada com qualquer sociedade Ocidental, o processo de substituição de um líder far-se-á mais provavelmente através da conquista, e manutenção sem escrúpulos, do poder do que através de um processo institucionalizado. Por isso, ninguém pode confiar que tenha chegado a hora dos moderados nem a hora do diálogo com Israel.
A morte de Arafat tanto abre uma janela de esperança como pode escancarar a porta do caos. O espectro de uma guerra civil estimulada por Israel e pelos EUA, por um lado, e pelos radicais palestinianos, por outro lado, é o cenário mais terrível e também o mais provável. Um futuro de paz e desenvolvimento na região continua a ser insondável.
Figura complexa, odiada por Israel e pelos EUA, Arafat sempre encontrou na Europa os melhores aliados das posições palestinianas. Foi a Europa que lhe deu o Nobel e foi a esquerda europeia que usou o célebre lenço palestiniano. Foi a Europa que o recebeu na fase terminal da vida e é na Europa que a elite moderada palestiniana tem encontrado os seus apoios.
Por isso, a União Europeia poderia ter um papel estabilizador vital na evolução da situação político-militar na Palestina. Mas não terá. Porque não só a diplomacia externa europeia fala a várias vozes como as duas principais vozes no Médio Oriente são a britânica e a francesa. De Durão Barroso e Javier Solana pouco há a esperar, embora a Europa seja o espaço privilegiado de expansão do conflito e de imigração de populações islâmicas.
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