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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 24 de Abril de 2006 às 14:14

A terceira OPA

Decididamente, as OPA vieram para ficar. Ainda não passou um mês sobre o anúncio da decisão de expansão para a Espanha e já a Ibersol (Vidisco) está a lançar uma OPA à Telepizza, considerando que “Essa é uma decisão-chave. Temos que dar um salto”. Feitas

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Decididamente, as OPA vieram para ficar. Ainda não passou um mês sobre o anúncio da decisão de expansão para a Espanha e já a Ibersol (Vidisco) está a lançar uma OPA à Telepizza, considerando que "Essa é uma decisão-chave. Temos que dar um salto". Feitas as contas, este ano já é a terceira OPA.

Mas esta não é uma OPA como a da Sonae à PT e a do BCP ao BPI. Falta-lhe quase tudo o que nas outras serve para entusiasmar os investidores e para gerar polémicas. Falta-lhe gigantismo, faltam-lhe caras conhecidas, faltam-lhe accionistas, falta-lhe conflito.

Falta-lhe até o choque da surpresa e do rasgo porque a Ibersol não faz mais do que lançar uma OPA a uma empresa que tem vivido fortes percalços económicos e repete aquilo que duas outras empresas acabaram de fazer neste mês de Abril. De facto, antes da OPA da Ibersol, já a Foodco Pastries e Medimosal, por um lado, e a Food Service Project, por outro, tinham lançado operações de aquisição sobre a Telepizza.

Além disso, uma coisa é a banca e as telecomunicações e outra, muito diferente, é o negócio das pizzas.

Acresce ainda que António Teixeira e Pinto de Sousa, os principais accionistas da Ibersol, não são propriamente caras de todos os dias. Mesmo quando lançaram, em 2005, uma OPA à sua empresa para obter o domínio de 90% do capital, nem a notícia nem o insucesso da operação mereceram muita atenção.

Porém, não só a Ibersol está cotada em bolsa como simboliza, melhor que as operações da Sonae e a do BCP, a nova realidade da economia ibérica e a necessidade de expansão dos negócios portugueses para Espanha.

Ao contrário das pretendidas aquisições pela Sonae e pelo BCP, que através das fusões irão inevitavelmente reduzir postos de trabalho e reduzir a concorrência no sector, embora capacitando as empresas para voos muito mais altos e indispensáveis, a proposta da Ibersol estreia a possibilidade de conquistar posições em mercados externos através do mercado bolsista.

E vale a pena reparar no que é a actividade da Ibersol, porque o seu negócio parecendo-se com o negócio da restauração é, sobretudo, um negócio de marcas e de criatividade. Afinal de contas, dois aspectos chave para o sucesso económico das empresas. Quando vemos lojas das marcas Pizza Hut, Pasta Caffé, KFC, O’ Kilo, Iber, Pans & Co., Burger King, TGI Friday’s ou Papaki, quer em Portugal quer em Espanha, estamos a ver a Ibersol.

Independentemente da agitação bolsista que esta iniciativa da Ibersol venha a gerar (nos últimos seis meses a empresa "só" valorizou 33%), a OPA à Telepizza tem o mérito de servir para tirar os olhos dos pesos pesados do PSI-20 e dar alguma atenção às outras empresas cotadas.

A Ibersol não consta do PSI-20 mas nos últimos 12 meses obteve a 15ª melhor valorização bolsista. E nos 12 meses anteriores ficou em 13º lugar.

Há portanto vida para além do PSI-20 e dos seus pesos pesados e todas as razões para valorizar a iniciativa da Ibersol.

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