A vitória de Cavaco
Cavaco tinha o pássaro na mão, bastava não o deixar fugir - agarrou-o com estoicismo e ganhou o debate. Soares, que vivia uma oportunidade única, precisava de levar o adversário ao tapete - exagerou na dose e perdeu o combate.
A síntese exige, contudo, uma prévia contextualização: Soares tinha à sua frente alguém a quem finalmente queria dizer, cara a cara e em público, tudo o que dele pensa desde que foi forçado a uma incomodativa coabitação política. Estava criado o caldo ideal para a vingança do «velho leão». Foi o que aconteceu. Só que o caldo social que o país vive é favorável à imagem que Cavaco soube construir com argúcia e paciência: o país está disponível para alguém que corporize uma mensagem de esperança capaz de inverter a crise em que mergulhou. Cavaco é isso mesmo, por muito que uma argumentação política contrária introduza elementos perturbadores. E em momento algum do confronto o homem que se predispôs ao exame do seu passado e à avaliação da sua proposta perdeu a cabeça. Mesmo quando o examinador perdeu a elegância. Conclusão da história: estamos a um mês da vitória de Cavaco; e da consumação do «erro brutal» com que Soares quis encerrar o seu combate político.
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