Avanços tecnológicos e a sua importância estratégica para a rede ferroviária nacional
A crise económica na zona Euro ditou o adiamento do projeto da rede ferroviária de alta velocidade, bem como de outros investimentos com uma importância estratégica para o país.
A crise económica na zona Euro ditou o adiamento do projeto da rede ferroviária de alta velocidade, bem como de outros investimentos com uma importância estratégica para o país. Entre outros e a título de exemplo, destaca-se da ligação ferroviária aos maiores portos nacionais, que teria permitido alcançar sinergias importantes entre a eventual capacidade de transporte terrestre e a capacidade de transporte marítimo decorrente da situação geográfica privilegiada de Portugal. A ferrovia é um fator chave para a mobilidade e é fundamental para o desenvolvimento económico, pelo importante suporte que presta à indústria no transporte de bens e matérias-primas. O tema, da maior importância para o panorama nacional, vai inclusive estar em debate em Lisboa, na Iberian Railway Development Conference, no próximo dia 3 de Março.
Como é sabido, o investimento na modernização das linhas férreas depende, de facto, da existência de grandes volumes de capital. A questão principal, no entanto, passa por ver para além do esforço do investimento inicial, e conseguir aferir quais são os custos de operação e manutenção, e quais são os potenciais benefícios que este investimento origina. Nesta equação existem duas variáveis da maior importância: a primeira está relacionada com o facto do transporte ferroviário ser o meio de transporte terrestre mais eficiente e sem rival, mesmo quando comparado com o transporte aéreo de mercadorias. A segunda prende-se com as novas tecnologias já existentes e implementadas em alguns pontos da Europa, e que permitem agora (e permitirão mais ainda no futuro) diminuir substancialmente os custos de infraestrutura, e consequentemente de operação e manutenção – tornando a equação muito mais favorável.
No domínio tecnológico da ferrovia há muito que a Europa está na vanguarda, com inúmeros polos de desenvolvimento na Alemanha, em França e no Reino Unido, entre outros. É no âmbito deste desenvolvimento tecnológico que surge um dos exemplos mais interessantes – o sistema ERTMS ("European Railway Traffic Management System"), implementado com o propósito de permitir a circulação de um número maior de comboios, a velocidades mais elevadas, com menos infraestrutura, mantendo ou melhorando a segurança e a interoperabilidade entre as diferentes redes de transportes ferroviários.
Este sistema, a par com outros avanços extremamente relevantes (como por exemplo na vertente da manutenção preventiva de falhas), faz um uso intensivo das comunicações seguras via rede GSM-R. Existem também outros sistemas, ainda em fase de estudo, que recorrem aos sistemas avançados de GPS (e similares) para identificar a posição dos comboios. Desta forma é possível reduzirem ainda mais a dependência dos sistemas terrestres nos processos de operação dos comboios.
Todas estas tecnologias têm um objetivo comum: melhorar o nível de eficiência, e preparar um meio de transporte que já é fundamental para o desenvolvimento económico, para os desafios futuros no domínio da mobilidade. O investimento inicial, embora significativo, pode ser feito de forma estratégica e sustentável, sendo também recuperável a médio prazo, visto que por um lado, os custos operacionais são mais reduzidos, e por outro lado, a ferrovia possui um enorme potencial enquanto motor das indústrias nacionais.
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