BPP: de que está a Justiça à espera?
As autoridades judiciárias desencadearam nova ofensiva na investigação ao Banco Privado Português. Desta vez, a avaliar pelo que se ouve nos bastidores, sem luvas de pelica. Uma atitude que se louva mas que peca por tardia...
As autoridades judiciárias desencadearam nova ofensiva na investigação ao Banco Privado Português. Desta vez, a avaliar pelo que se ouve nos bastidores, sem luvas de pelica. Uma atitude que se louva mas que peca por tardia. Vejamos: quando estalou o escândalo BPP, disse-se que se estava perante um caso muito diferente do BPN. José Miguel Júdice, presidente da mesa da assembleia-geral do banco, chegou a dizer, no programa de TV "A Cor do Dinheiro", que os problemas do BPP não eram caso de polícia mas o resultado de erros de gestão, agravados pelos problemas conjunturais do mercado financeiro.
O que se sabe, hoje, chega para dizer que Júdice e outros accionistas, como Stefano Saviotti, Pinto Balsemão, Vaz Guedes, etc, estavam enganados. Provavelmente levados por gente com responsabilidade na gestão do BPP em quem, erradamente, confiaram. Mas se os accionistas se deixaram enganar, eles que arquem com as responsabilidades. O mesmo não se pode dizer dos clientes do banco e dos contribuintes. Os primeiros (os dos produtos de retorno absoluto) têm direito a que o Estado compense o resultado das falhas de supervisão. Os segundos, que são quem vai pagar os erros de gestão, agradecem que a Justiça actue a doer e que ponha os autores de actos criminosos (no BPP também os há e bem à vista) atrás das grades. E que recupere, do seu património, pelo menos parte daquilo que ali foi parar indevidamente. Só que isso exige rapidez de actuação.
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