Comprar local
O movimento a favor de "comprar local – buy local" tem vindo a crescer nos mais variados países. Tende a desenvolver-se em períodos de crise económica, dado que a compra de produtos localmente produzidos ajuda as empresas, aumenta o emprego e reduz as importações. Este movimento está também ligado a preocupações ambientais, dado que o consumo de produtos provenientes de regiões distantes exige o seu transporte e consequente emissão de dióxido de carbono. Outro argumento a favor está relacionado com a saúde, dado que a produção de proximidade favorece o consumo de produtos frescos e sem conservantes.
O movimento a favor de "comprar local – buy local" tem vindo a crescer nos mais variados países. Tende a desenvolver-se em períodos de crise económica, dado que a compra de produtos localmente produzidos ajuda as empresas, aumenta o emprego e reduz as importações. Este movimento está também ligado a preocupações ambientais, dado que o consumo de produtos provenientes de regiões distantes exige o seu transporte e consequente emissão de dióxido de carbono. Outro argumento a favor está relacionado com a saúde, dado que a produção de proximidade favorece o consumo de produtos frescos e sem conservantes.
Nos Estados Unidos, o movimento AMIBA (American Independent Business Alliance) assenta em núcleos urbanos ou estaduais, fomentando o associativismo de consumidores e empresas. Stacy Mitchell, um autor e ativista de Minneapolis, estima que um total de 25 000 empresas se associaram a campanhas a favor de "comprar local", desde 2005. Estas campanhas usam mensagens simples, por vezes cândidas, como "seja local, pense local, compre local" (Arizona) ou "aqui fala-se local" (Austin) ou, no caso de um restaurante de Nova Orleães – "coma aqui ou ficamos ambos com fome".
No Reino Unido, o BLoC, que promove o consumo de produtos locais comercializados por retalhistas independentes, conta com o apoio do Príncipe Charles. Tanto Portugal como o Brasil têm movimentos a favor do consumo de produtos locais. No caso português, a Associação Empresarial Portuguesa promoveu um símbolo (um P com cores vermelha e verde e a inscrição "made in Portugal") que certifica os produtos de origem nacional. Um rótulo adicional, de natureza regional, informaria os consumidores e aumentaria o prestígio dos produtos.
A crise que atravessamos torna a opção por comprar local ainda mais imperiosa, para reduzir o desemprego e a dívida externa. No entanto, o sufoco financeiro das famílias pode levá-las a ter uma preocupação exclusiva com os preços e por isso a fazer as compras de carro, por grosso, e junto de grandes superfícies que publicitam a sua prática de preços baixos ou de descontos imperdíveis. Este pode ser um círculo vicioso – para praticar preços baixos, os grandes retalhistas fornecem-se junto de produtores de grande dimensão ou salários reduzidos, que podem estar nos antípodas de Portugal. Julgando economizar, muitos consumidores compram em grandes volumes, gastando combustível para fazer as compras e mantendo ou agravando os níveis de endividamento pessoal para fazer pagamentos que são canalizados para fora de Portugal. Comprar por grosso tem o inconveniente de gerar mais desperdício, com produtos que ficam fora de prazo e cuja conservação agrava a conta da eletricidade. No processo, agrava-se o abandono dos campos e a falência de pequenos industriais e comerciantes.
Em alternativa, podemos enveredar pelo círculo virtuoso: comprar com mais frequência, em menor volume, deslocando-nos a pé ou de bicicleta até à mercearia mais próxima, onde podemos encontrar produtos acabados de transportar de hortas situadas nas proximidades. Afinal é o que fazem os habitantes de países ricos como a Holanda ou a Dinamarca. Outra lição que podemos extrair desses países é a do sistema de informação – os compradores num mercado em Amsterdão são informados do preço praticado pelos agricultores que venderam os legumes que vai levar para casa; o agricultor também é informado em tempo real do preço final que o consumidor acaba de pagar. Se o diferencial lhe parecer excessivo, pode procurar um novo intermediário. Perante a capacidade empreendedora e tecnológica dos portugueses, levará muito tempo até criarmos uma Via Verde dos produtos locais portugueses que permita a cada consumidor saber como se reparte o valor que ele paga pelo litro de leite que consome? Por sua vez, esta informação não levará outros empreendedores a diversificar e racionalizar os circuitos de produção e distribuição? Este desenvolvimento só aumentará a liberdade de escolha do consumidor final, que pode encontrar muitas razões para comprar local.
Professor na ISCTE Business School Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico
Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico
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