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Carlos Varela 09 de Abril de 2012 às 11:13

EUA: mercado accionista preparado para 2012

Dado que a economia europeia parece destinada a continuar estagnada ao longo deste ano, enquanto as empresas norte-americanas estão a beneficiar de uma retoma cada vez mais forte da maior economia do mundo, uma abordagem mais ampla poderia mostrar-se rentável.

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Após um forte desempenho relativo em 2011, o mercado accionista dos Estados Unidos, alicerçado num bom nível de avaliações, na melhoria da conjuntura económica e na solidez do tecido empresarial, está novamente bem posicionado para conseguir melhorar ainda mais o seu desempenho em 2012.

Apesar das boas perspectivas no que diz respeito aos preços das acções norte-americanas, estas ainda são estruturalmente pouco representativas na carteira de muitos investidores. O peso das acções norte-americanas no mercado global de acções, com base em ponderações do Índice MSCI World, é da ordem de 40%, mas a exposição da maior parte dos investidores a este mercado dinâmico e importante é reduzida ou mesmo nula.

No ano passado, esta reduzida exposição às acções norte-americanas mostrou ser um obstáculo, dado que estas acções tiveram um desempenho significativamente superior ao dos mercados globais. Este ano, as acções norte-americanas, alicerçadas na recuperação económica em curso e na melhoria da estrutura empresarial, estão novamente bem posicionadas para apresentar um forte desempenho relativo.

A recuperação económica dos Estados Unidos está bem encaminhada
Salta à vista o contraste existente entre os EUA e a Europa em termos de solidez económica. Enquanto a economia europeia, a braços com a actual crise da dívida soberana e com severas medidas de austeridade impostas pelos governos, continua estagnada, a economia dos Estados Unidos dá mostras de fortalecimento. No quarto trimestre de 2011, o PIB cresceu 2,8% em termos anualizados, apesar das preocupações com o aumento de stocks e o investimento do capital corporativo. Note-se que, nos EUA, parece estar a verificar-se um aumento do consumo e uma queda significativa do desemprego, o que irá contribuir para reforçar a confiança dos consumidores. De modo geral, a economia norte-americana parece a caminho de uma recuperação completa.

Como resultado desta melhoria, a economia dos Estados Unidos deverá crescer 2,3% em 2012, de acordo com as últimas estimativas da JP Morgan, mas o PIB poderá mesmo, em termos realistas, apresentar um crescimento de 2,5%, em contraste com o crescimento de 0,8% e 1,7% que se prevê para o Reino Unido e para o Japão, respectivamente. A Zona Euro, segundo as previsões, deverá mesmo sofrer um decréscimo de 0,4%, com muitos países europeus a braços com uma recessão dupla. Tendo em conta estas boas perspectivas económicas dos Estados Unidos, é de esperar que as empresas venham a melhorar as suas margens de lucro, o que terá reflexos positivos no mercado accionista.

Reserva Federal continua a apoiar o crescimento
No entanto, estas perspectivas promissoras não estão isentas de riscos. O principal risco que pode afectar o crescimento está relacionado com o sector imobiliário, que ainda se encontra numa situação ambígua, dada a sua fragilidade. A queda de preços do mercado imobiliário poderá ter um efeito negativo sobre o rendimento familiar contribuindo assim para a retracção do consumo. Em segundo lugar, a polarização política no Congresso antes das eleições de Novembro de 2012 é motivo de preocupação. A não ser que haja um acordo bipartidário, vai chegar ao fim o prazo previsto para os cortes fiscais impostos pela administração Bush, e em Janeiro de 2013 irão começar a ser aplicados cortes automáticos na despesa, na ordem dos 1,2 biliões de dólares, o que poderá causar uma penosa restrição fiscal ao crescimento nesse ano.

Em terceiro lugar, o crescimento da economia norte-americana poderá ser afectado por factores externos, como a recessão europeia e/ou a "aterragem forçada" da economia chinesa. Além disso, o preço do petróleo está a subir para níveis demasiado elevados, devido ao receio da ocorrência de rupturas de abastecimento, à medida que aumenta a tensão com o Irão. A gasolina já atingiu preços que poderão restringir o consumo de forma generalizada.

Todos estes riscos poderão desencadear novas vagas de volatilidade ao longo do ano. No entanto, de modo geral, a apetência pelo risco está a aumentar. A intervenção do Banco Central Europeu reduziu seriamente a probabilidade de uma iminente crise bancária na Europa, ao passo que os dados recentes da China e os cortes relativos à reserva obrigatória dos bancos (flexibilização efectiva da política monetária) aumentaram a probabilidade de uma "aterragem suave".

Os Estados Unidos, entretanto, usufruem de uma política monetária extremamente flexível. Em Janeiro, a Reserva Federal adiantou que espera manter as taxas de juro em níveis próximos de zero pelo menos até ao final de 2014. Há mais medidas de flexibilização quantitativa em cima da mesa, caso a economia dê novos sinais de enfraquecimento substancial.


EUA apresentam um forte tecido empresarial
O ponto fundamental para os retornos das acções norte-americanas ao longo dos próximos 12 meses são os lucros das empresas dos Estados Unidos e a resistência que as margens de lucro irão apresentar. De modo geral, o crescimento económico dos Estados Unidos parece moderadamente favorável aos lucros das empresas em 2012, dado que aparentemente o sector corporativo irá ser o principal beneficiário da melhoria da conjuntura económica. As empresas norte-americanas sofreram processos de reestruturação para poder sobreviver à crise financeira global, reduzindo os custos e o nível de endividamento. Por isso mesmo, apresentam contas consolidadas, elevados saldos de caixa e baixas taxas de endividamento, os que as coloca numa posição forte para poderem aumentar os lucros à medida que a economia recupera.

Os resultados por acção (EPS) S&P 500 já se encontram num período cíclico de alta (ver gráfico) e deverão melhorar ainda mais, à medida que aumentar a procura interna e crescerem os salários mais baixos, e caso se mantenha a forte procura por parte da América Latina e da Ásia.
Devido à melhoria dos resultados, as avaliações situam-se em patamares muito mais elevados, e as acções norte-americanas estão a ser negociadas a níveis muito inferiores à média em comparação com os lucros das empresas. Os rendimentos dos dividendos das acções também se situam a níveis muito mais elevados em comparação com os fraquíssimos rendimentos apresentados pelas Obrigações do Tesouro nesta altura, pelo que os investidores estão a receber a devida compensação por terem assumido maiores riscos.


Espreitar as oportunidades do outro lado do Atlântico
Os investidores europeus tendem a apresentar uma reduzida percentagem de acções norte-americanos nas suas carteiras, preferindo investir uma maior fatia das suas economias em produtos mais caseiros. No entanto, dado que a economia europeia parece destinada a continuar estagnada ao longo deste ano, enquanto as empresas norte-americanas estão a beneficiar de uma retoma cada vez mais forte da maior economia do mundo, uma abordagem mais ampla poderia mostrar-se rentável. Para os investidores, os Estados Unidos podem ser de facto a terra das oportunidades em 2012.






*Head of Sales da JPMorgan AM para a Península Ibérica


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