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João Quadros 23 de Setembro de 2011 às 11:00

Facebook free!

Olá, o meu nome é João e faz hoje uma semana que encerrei a minha página no facebook.

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Em tempos, Miguel Sousa Tavares disse - o Facebook não passa de uma agência de engates onde uma multidão de solitários ou mal resolvidos se põe a jeito - fui ao engano, não era assim tão bom. O meu interesse pelo enorme potencial do facebook foi suplantado pela minha curta paciência.

Quando encerrei a página tinha 1385 "amigos", muitos com cara de boneco - eu não quero ser amigo da Eurodisney; e conheço um cabeçudo de Torres e não é flor que se cheire. Culpa minha, eu sei. Já me informaram que existem botões que se carregam e que permitem alguma privacidade, mas para isso temos de recorrer à burocracia do facebook, e o meu rato odeia papelada.

Se querem ver até onde vai a paranóia, experimentem tentar abandonar o facebook. Não é fácil - queria sair e o facebook não deixava. Passei por uma experiência semelhante quando abandonei o clube católico Xenon, da Opus Dei, aos treze anos, e aos dezoito (e muita puberdade depois) ainda me enviavam revistas com um poster de Monseñor Josemaría Escrivá de Balaguer nas páginas centrais.

No facebook, começam por nos mostrar fotografias de pessoas "nossas amigas" com a legenda - o/a vai sentir a tua falta - tive sorte e quando já estava a quebrar apareceu o Peter Pan.

Primeiro falam-nos ao coração, depois deixam cair a máscara e exigem: passwords, copiar palavras chave e uma razão para os abandonarmos...Sim, por incrível que pareça é obrigatório apresentar uma razão para abandonar o Facebook - é mais exigente que a actual lei do divórcio. Será que me vai pedir uma pensão? O facebook está em tal estado de negação que nem sequer se contenta com a razão - outra - uma das mais comuns para o fim de um matrimónio. Obriga-nos a especificar a razão. Parece uma seita e é o oposto da lógica: ter que dar uma justificação para sair já é justificação suficiente para fugir dali. Mas se é de justificações que precisam, cá vai.

O facebook não respeita a memória. Prefiro imaginar as minhas ex-namoradas como elas eram do que vê-las como realmente estão.

Para mim, o que conta não são os presentes virtuais, o que conta é a intenção. E a intenção de quem envia corações, queques com passa, tartes de gila e etc, para a nossa página, só pode ser chatear.

Também podia alegar que não consigo partilhar o mesmo universo virtual que Cavaco Silva, mas não era justo, porque apesar de tudo, Cavaco, não me envia mensagens da Happy Island (o nome não tem segundas intenções). O Facebook é uma casa de máquinas que anda atrás de nós a maçar. É uma playstation testemunha de Jeová que mete o pé na porta e faz perguntas parvas. Tenho hectares de mensagens do Farmville e, sinceramente, quero lá saber se o meu colega do ISG, de 88, foi atropelado por um tractor.

O inferno não são as pessoas. O inferno são as pessoas que jogam jogos no facebook. Jogam simultaneamente: Café World, Farmville, Poker, Mafia Wars, Happy Island, Sims, dasss… e orgulham-se disso. Enviam-nos, altivas, as últimas pontuações que atingiram e que são inversamente proporcionais à produtividade no local de trabalho - fiz 20.000 pontos no Farmville e estou a uma vara de ser despedido. Para mim acabou, e estou livre e feliz o suficiente para sentir necessidade de ir a correr para o twitter fazer um twitt sobre isso.

No mural

1. O TGV vai ser como o carro dos Flinstones - a bitola é a meia-sola. 2. Já está à venda o Novo Dicionário de Termos Europeu do eurodeputado social-democrata, Carlos Coelho. O objectivo da obra é que os portugueses percebam melhor o que é a União Europeia - parece-me uma boa ideia mas nesta altura talvez fosse mais útil um dicionário de grego-português. 3. Não sei se é boa ideia atacar Alberto João Jardim em tempo de campanha eleitoral. Acho melhorar esperar até que ele pouse a tesoura. 4. Jardim diz que o objectivo é derrotar Lisboa - querem ver que, afinal, ele vai-se candidatar à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. 5. Cavaco, na Graciosa, ficou maravilhado com o sorriso das vacas - ainda falam do Dalai Lama, o nosso presidente é a calma em pessoa , o mais zen de todos. La vache qui rit - e está tudo dito.

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