Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

Mais Estado? Vade retro

O que se está a passar com a Qimonda é um bom exemplo da influência nociva do Estado na actividade empresarial. A Qimonda, sabe-se há muito, não é viável com mil trabalhadores. Ontem anunciou que planeia despedir 590. Depois do "bruáá" que se seguiu...

  • Partilhar artigo
  • 20
  • ...
O que se está a passar com a Qimonda é um bom exemplo da influência nociva do Estado na actividade empresarial. A Qimonda, sabe-se há muito, não é viável com mil trabalhadores. Ontem anunciou que planeia despedir 590. Depois do "bruáá" que se seguiu, a empresa recuou e anunciou que, afinal, pode despedir apenas 490, mantendo os restantes 100 em "lay off".

Primeira pergunta: a empresa não podia ter tomado esta decisão mais cedo? Podia. A assembleia de credores, que decidiu reduzir 230 postos de trabalho (bem abaixo dos 590 anunciados ontem), reuniu-se a 29 de Setembro. E só ontem comunicou a decisão final. Ambas as decisões foram tomadas depois das eleições. Coincidências? Só um ingénuo acredita...

É verdade que a Qimonda não é uma empresa de capitais públicos. Mas a influência do Estado neste dossiê, nomeadamente pelo peso da AIECEP no processo, chegou para que os despedimentos fossem adiados para lá do período de "reflexão eleitoral" ("whatever that means").

Segunda pergunta: por que é que, poucas horas depois do anúncio dos 590 despedimentos, a Qimonda admitiu que as rescisões podiam ser inferiores? Foi cedência à pressão política (Mário de Almeida, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde e ex-presidente da Associação Nacional de Municípios é um dos pesos pesados do Partido Socialista) ou fazia parte do processo negocial?

E ainda há por aí quem, a coberto da crise financeira, ande a defender o aumento do peso do Estado na economia e na sociedade. Vade retro!


camilolourenco@gmail.com

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias