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Raul Vaz 28 de Abril de 2006 às 13:00

O aliado da direita (II)

Quando Cavaco disser o que pensa das finanças públicas, do estado do Estado e da real capacidade do Governo para inverter o crónico “monstro”, a sua autoridade na matéria não deixará espaço para muito mais.

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Quando Cavaco disser o que pensa das finanças públicas, do estado do Estado e da real capacidade do Governo para inverter o crónico "monstro", a sua autoridade na matéria não deixará espaço para muito mais.

Marques Mendes sabe-o e por isso mesmo não terá ficado agastado por Cavaco não lhe seguir a agenda no discurso do 25 de Abril. O Presidente não falou de Justiça, nem da crise económica e ignorou os avisos negros dos recentes relatórios do Banco de Portugal, FMI e OCDE.

Ainda bem. Via verde para o líder da oposição ir apresentando contrapontos e soluções, enquanto é tempo, enquanto Cavaco não esgotar o prazo estratégico da sua "cooperação estratégica". Já a esquerda vai ter que puxar pela imaginação. Com Cavaco a falar directamente aos que não têm voz, Jerónimo, Louçã - e até Sócrates - vão ter, provavelmente, o aliado com que menos sonhavam.

É que Cavaco não se limitou a roubar ao primeiro-ministro e à esquerda em geral a bandeira do social - deu pistas discretas mas concretas sobre a forma de resolver as graves disparidades do tecido social português. Para o novo Presidente, o caminho passa por se perceber que não pode ser o Estado a resolver tudo. Algo que o PCP e o Bloco nunca perceberão. E que o PS dificilmente deixará Sócrates perceber.

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