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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt
03 de Julho de 2009 às 13:19

O par de cornos

Quando pensamos que as coisas não podem piorar, o ministro da Economia faz cornos à oposição. Não percebeu o insulto? Manuel Pinho faz-lhe o desenho. Porque os insultados somos nós. Dia após dia.

Quando pensamos que as coisas não podem piorar, o ministro da Economia faz cornos à oposição. Não percebeu o insulto? Manuel Pinho faz--lhe o desenho. Porque os insultados somos nós. Dia após dia.

Num ano qualquer, os políticos estariam nesta altura em fim de festa. Mas em ano com três eleições, a festa ainda agora começou. É a festa do "quem consegue descer mais o nível", em que se joga ao bate-pé da boçalidade. É como o "Monstrengo" de Pessoa, ontem citado por Teixeira dos Santos: "imundo e grosso".

Manuel Pinho conquistara o título da longevidade como ministro da Economia. E coleccionou, também, "gaffes" que se lhe agarraram à imagem como nódoas que não saem. Foi por isso que um dia, saindo da China, onde incluíra os baixos salários em Portugal como argumento para captar investimento estrangeiro, se autodefiniu: "Eu sou aquele que eles adoram odiar". Incluindo ele próprio. Porque é preciso gostar muito de quem o odeia para lhes dar esta de bandeja.

Mas a questão não é que Manuel Pinho se tenha passado da cabeça, é a de que desta vez foi Manuel Pinho; é a habituação a esta degradação no exercício de funções políticas e de representação dos cidadãos.

Manuela Ferreira Leite e José Sócrates entram em mentiras e acusações de mentiras. Afonso Candal faz insinuações cobardes a José Eduardo Martins, que lhe responde: "Vai para o c..." (nem sei como escrever!). Convenhamos: as comparações entre Fernando Teixeira dos Santos e o ministro da propaganda do Iraque fazem de Alberto João Jardim um menino de coro.

Houve um tempo em que era do calor: a Assembleia da República era insuportável, sem ar condicionado. As obras já foram feitas mas esqueceram-se de lá deixar um kit para meninos mal educados: pimenta para a língua, palmatória e chapéus de orelhas.

Não é possível que a Assembleia da República se torne numa assembleia-geral do Benfica. E também não é aceitável que os políticos desprezem quem os elege, servindo-se deles em vez de os servirem. Como Paulo Rangel e Elisa Ferreira, que decidiram dar para os dois lados, o primeiro para as legislativas e europeias, a segunda também para as autárquicas.

Este é um tempo sensível para a sociedade. João Rendeiro está na mira do Ministério Público, Oliveira Costa está preso, Jardim Gonçalves é acusado de crimes; há fraudes piramidais denunciadas, pequenas burlas que fazem temer pelas grandes. Onde estão as grandes referências? Deviam começar por estar na política, no Governo e na oposição. Mas o que há é insulto. Políticos que gerem carreiras em vez de projectos. Esta gente podia até não se dar ao respeito. Mas que, ao menos, perceba que ali ao leme são mais do que eles; são "um povo que quer o mar que é teu". Quem ali está e não tem sentido de Estado está então sentado no Estado.

Houve uma altura em que a culpa, diziam, era dos jornais: só noticiavam o ladrão. Nada disso: agora, como no filme, é o cozinheiro, o ladrão, a sua mulher e o amante - tudo ao mesmo nível. Não perguntem por que sobe a abstenção, perguntem o que acontecerá depois disso.

Chifrudo é o Belzebu mas aquele par de cornos não é para o PCP, é para os eleitores. Manuel Pinho resistiu a tudo menos a si mesmo. Não se perde grande coisa mas a sua demissão é uma réstia de decência num país que não pode aceitar a humilhação de se habituar a estas coisas. Só é corno quem quer.

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