João Quadros
João Quadros 28 de janeiro de 2011 às 11:29

O senhor Inútil e o senhor Desagradável

Tenho para mim que estas eleições foram tão bem organizadas como as do Uganda/78; e a abstenção foi muito semelhante.
O que realmente me amofina, neste acto eleitoral, não é a taxa de abstenção total (essa, aceito e compreendo) mas a registada nos Açores - 68,9%; mais 8% de brancos e nulos. Quase 80 % dos açorianos não votou! Ficámos nós uma hora à espera deles para isto! Temos que acabar com esta fantochada! Para o ano, eles que tapem os ouvidos e façam - lá, lá, lá, lá! - quando, às 19 horas, forem feitas as primeiras projecções.

Em termos televisivos, mais uma vez, uma marquise foi a vedeta da noite. Não sei como é que Aníbal Cavaco Silva aguenta passar directamente da marquise em alumínio no Possolo para o edifício do CCB - imagino que, em termos arquitectónicos, deva exigir 12 horas de câmara de descompressão.

Na presença da marquise, os jornalistas entrevistaram umas crianças, vizinhas do presidente, que à pergunta - conhecem Cavaco? - responderam - Sim. Ele é muito carinhoso, quando nos vê, agarra-nos, abraça-nos e dá-nos muitos beijinhos…- e o Defensor Moura não aproveitou isto?!!

O melhor momento da noite pertenceu à SIC, quando o jornalista, Bruno Ferrão, contou os degraus ("1,2,3,4,5") enquanto Cavaco subia as escadas do CCB - ainda bem que a sede de campanha não era no Bom Jesus de Braga.

Quanto aos resultados em si, Cavaco Silva obteve apenas 25% dos votos da população e eu só espero que não venham para aí as famílias do - Sim, à vida - dizer que o resultado destas eleições não é vinculativo. Aníbal perdeu cerca de 530.000 votos, em relação às últimas eleições, o que dá, em média , o equivalente a 280 votos por dia, sem contar com feriados e pontes. Uns justificam o decréscimo dizendo - são pessoas que, entretanto, faleceram - outros dizem - é verdade que nunca um Presidente da República foi eleito com tão poucos votos, mas também nenhum deles teve a Maria Cavaco, ao lado, na campanha.
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Cavaco, já vencedor, concluiu: "a honra venceu a infâmia". Deu para ver que temos um vencedor ressabiado, e ainda por cima consta que é vingativo - aposto que vai vazar um olho à revista Visão.

O Presidente da República quer que os jornalistas digam os nomes de quem está por detrás das notícias manhosas. Eu, se fosse aos jornalistas, adoptava uma estratégia infalível (perante atitudes pidescas) e atirava o odioso da coisa para cima da "mulher do meu sogro."

E não era Alegre que dizia: "quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois"? Não ficou longe. Nas últimas eleições, Alegre não sabia o que fazer com o um milhão de votos , ao menos com o que teve ,desta vez, já sabe que não dá para nada. Mário Soares, ainda a salivar pela derrota de Alegre, chamou rancoroso a Cavaco… - foi pena não haver ninguém da SIC a filmar a varanda do Mário Soares. Tenho a certeza que havia gente a bater tachos e a lançar foguetes. Tal como se esperava, Sócrates dedicou 5 segundos a Alegre e Passos Coelho 8 segundos a Cavaco; é mais forte que eles.

Em termos de surpresas, Alberto João mostrou que é um homem à frente no tempo e teve um ataque cardíaco umas semanas antes de saber o resultado das eleições na Madeira. Coelho terá tido o melhor rácio custo/eleitor em termos de gasto de campanha - relembro que a dúzia de coelhos vivos está a menos de cem euros.

Deixo para o fim (para poder piscar o olho), José Rodrigues dos Santos que, em plena televisão do Estado, apresentou o candidato presidencial Coelho, como: "o tiririca da Madeira". Será que ele gostava de ir ao Câmara Clara e que a Paula Moura Pinheiro o anunciasse como: "o Dan Brown do Monte da Virgem" ou "o Dumbo do romance histórico"?

Como conclusão final, começo por citar o meu estimado colega Camilo Lourenço, que concluiu - em democracia: a calúnia não compensa. Pois, é o chamado "Síndrome de Oeiras": um candidato com uma votação acima dos 45% deixa de estar sujeito a suspeições. Ou seja, após este resultado eleitoral, vamos continuar a ouvir falar do Coelho mas é muito provável que nunca mais se volte a ouvir falar na Coelha.


Notícias desagradáveis
1. Aumentos no preço da gasolina - só pode ser o governo que quer evitar que aconteça o que aconteceu na Tunísia - mas atenção que há portugueses que vão comprar gasolina a Espanha para se poderem imolar pelo fogo.
2. O governo não quer dar dinheiro à família de Renato Seabra - nem miminho à do Carlos Castro!.
3. Manifestação das escolas privadas - Puseram os miúdos a fazer caixões nas aulas?! E na Páscoa fazem o quê?! Com o que eu gasto em colégios particulares, ao menos, quero um caixão daqueles para ir escorregar para a Serra da Estrela.
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