PSD e PS, agora há diferenças
Liberal nos costumes, conservador na economia. Conservador nos costumes, liberal na economia. PS e PSD estão a colocar os eleitores que neles votam perante a escolha de um destes modelos de sociedade e economia...
Liberal nos costumes, conservador na economia. Conservador nos costumes, liberal na economia. PS e PSD estão a colocar os eleitores que neles votam perante a escolha de um destes modelos de sociedade e economia.
Há muito tempo que a diferença entre os dois partidos não era tão vincada. Até 27 de Setembro a diferença promete ser ainda maior, com um e outro a forçarem a exposição das escolhas em áreas que menos agradam aos eleitores.
Os socialistas iniciaram a marca da diferença quando escolheram actuar nos temas classificados como "fracturantes". A distância e o afastamento dos conservadores inicia-se com a vitória no referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez e prossegue com temas como as uniões de facto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a eutanásia.
O PSD de Manuela Ferreira Leite é claramente contra a regulamentação desses temas, uns por considerarem que a sociedade portuguesa não está preparada para eles, outros porque vêem violentados os seus valores morais.
As diferenças de visão sobre a sociedade prometem chegar à economia por via da iniciativa de distanciamento do PS. Um dos primeiros sinais dessa perspectiva foi dado ontem com a defesa que José Sócrates fez do Serviço Nacional de Saúde, em claro contraste com o que foi a sua política quando Correia de Campos foi ministro do sector.
O PSD, no seu programa, defende implicitamente, um sector da saúde com mais iniciativa privada. A "liberdade de escolha" aponta para esse modelo, iniciado, aliás, pelos social-democratas.
Um outro exemplo é o da segurança social, com o PS a chamar já à atenção para a proposta do PSD de estabelecer um limite máximo para os descontos - o dito "plafonamento". O compromisso com "menos Estado", que Manuela Ferreira Leite assumiu no discurso de encerramento da Universidade de Verão, está enquadrado numa visão da economia muito mais liberal que a do PS.
Ao longo de todo o programa "Compromisso de Verdade" é claro, como nunca recentemente,
a opção por deixar funcionar o mercado, promovendo a liberdade individual de iniciativa e dando ao Estado o papel de promotor, protector e regulador da concorrência.
O programa dos socialistas é menos claro. Muito marcado pela listagem de medidas que o PS já adoptou enquanto Governo, aponta basicamente para o seu aprofundamento. Mas não opta por um Estado fora da actividade económica e apenas regulador.
O quadro gerador da crise financeira internacional criará contudo condições ao PS para se assumir menos "pró-mercado", sem ameaçar a sua credibilidade internacional como partido de poder.
José Sócrates, mostrou-o no Governo, é mais liberal também na economia que uma parte importante do seu partido. Mas não o é tanto como está neste momento a revelar-se o PSD.
Considerando ainda que o primeiro-ministro tem alguma dose de pragmatismo, pode acabar por ajustar o seu discurso económico ainda mais esquerda, atraindo os desencantados com o mercado.
A menos de um mês das eleições, esta campanha será agressiva mas promete também ser mais interessante que as do passado recente. O resultado eleitoral, com as diferenças agora nítidas entre PSD e PS, permitirão revelar melhor que modelo escolhem os portugueses para a sociedade e a economia.
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