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Diogo Vasconcelos 16 de Novembro de 2010 às 12:23

Restart Portugal

Não basta corrigir os erros do passado, é preciso preparar o futuro.

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A crise pede um "reset" criativo. É isso que a APDC vai procurar estimular no seu 20º Congresso. Portugal só pode ter uma ambição: crescer a sério, sob pena de estar condenado ao empobrecimento. Num contexto de uma anémica recuperação, a inovação é mais relevante que nunca. Só a inovação garante aumentos radicais de produtividade, essenciais para assegurar uma retoma sustentável e duradoura. Significa novas soluções, novos modelos de negócio, e uma nova vaga empre-endedora, capaz de criar um novo optimismo e desencadear um renascimento económico e social.

Novas soluções
O crescimento das necessidades sociais, em conjunto com as restrições orçamentais, exige novos modelos de serviço público. O Estado não deve ter o monopólio do serviço público e deve devolver poder aos cidadãos. Significa passar de um Estado que presta serviços às pessoas para um Estado que presta serviços com as pessoas. Em vez de um Estado do Bem-Estar, devemos falar de uma Sociedade do Bem-Estar. Exemplos:
• Tornar o Estado um sistema aberto, para permitir colaboração e a criação de novos mercados. Criar novos serviços através da informação não confidencial detida pela administração pública. Hoje, sete países já estão a disponibilizar publicamente milhares
de bases de dados. O Estado como plataforma corresponde a um novo e radical paradigma da gestão pública. Um ecosistema de serviço público de empreendedores sociais é mais apto a responder aos desafios do Século 21 do que o sistema de comando e controlo do Século XX. Como escreve o nosso orador convidado Steve Johnson na "Wired": "as melhores ideias para o governo virão de fora do sector público".
• Ajudar as pessoas a gerir a sua condição, em vez de dependerem de um serviço. O sistema de saúde foi pensado para doenças agudas e tratamentos pontuais, mas hoje proliferam as doenças crónicas (representam 80% do orçamento da saúde), cujo tratamento depende, em grande medida, da colaboração e empenho do doente ao longo de períodos prolongados.
• Usar poder aquisitivo do Estado para estimular inovação. Na União Europeia, a contratação pública representa 2.155 mil milhões de euros, o equivalente a 17% do PIB europeu. Nos EUA, o programa de compras do governo federal gera por ano cerca de 1.800 novos produtos, a maior parte desenvolvido por PME inovadoras. Se a Europa mobilizasse uma pequena fracção - um bilião de euros - isso significaria cerca de 2.000 novos produtos por ano (estimativa apresentada por um representante da agência de compras holandesa num "workshop" da APDC sobre administração pública).

Novos modelos de negócio
Inovar significa colaborar com fornecedores, clientes, concorrentes. Ninguém é capaz de inovar sozinho. O processo de inovação é hoje aberto, colaborativo e global - e isso representa uma alteração profunda, que traz novas oportunidades, que obrigam a mais arrojo empreendedor. Novas necessidades significam novas ideias e novos mercados. Por exemplo, a denominada "silver economy" é dos mercados com maior potencial de crescimento. Uma oportunidade óbvia é desenvolver serviços, aplicações e plataformas para aumentar a qualidade de vida dos mais séniores, criando condições para que fiquem mais tempo nas suas comunidades. Uma nova visão para o envelhecimento significa manter as pessoas ligadas ao seu trabalho, às suas comunidades, aos serviços de saúde. As TIC são fundamentais para concretizar esta visão. Por outro lado, o "cloud computing" alterará de forma radical o modelo de negócio das TIC: informação, "software" e outros recursos passam a ser partilhados na rede e disponibilizados à medida das necessidades. Torna mais fácil criar empresas capazes de desenvolver produtos globais para o mercado global com talento global. Torna mais eficiente a gestão pública, como explicará no Congresso um responsável do governo suíço. Novos modelos de negócio são fundamentais para impulsionar a inovação nas comunicações e conteúdos, em plena era pós-publicitária. A fibra óptica e a banda larga móvel fornecerão velocidade e simetria necessárias para disponibilizar serviços de próxima geração. As redes do futuro são a chave para novos empregos, novas competências, novos mercados e para a redução de custos e um investimento necessário e complementar de outras infra-estruturas, permitindo-lhes ser "inteligentes". Mas sem novos serviços, a apetência por estas redes ficará muito aquém do seu potencial. Os grandes "drivers" do progresso e da mudança terão de ser a criatividade e a inovação de consumidores e empreendedores na criação de novos modelos de negócio e no estímulo a novos padrões de consumo. Ou seja: é vital mobilizar a criatividade e a capacidade de inovação dos empreendedores para o desenvolvimento de novos serviços e conteúdos capazes de tirarem partido de todo o potencial das novas redes. Em dois anos, surgiram centenas de milhares de aplicações (apps), disponibilizadas em plataformas como a Apple Store ou o Android Market. Benoit Felten vai avançar no Congresso com o conceito Fiber Apps Store.

Novas empresas
A actual crise custou à Europa seis milhões de empregos e muitos desses postos de trabalho não vão voltar. É indispensável tirar partido da "destruição criativa" e estimular novas fontes de crescimento. A Europa tem um grande défice de empresas inovadoras jovens e de crescimento rápido. Estudos recentes mostram que nos EUA, entre 1992 e 2005, 64% dos empregos foram criados por empresas com menos de cinco anos. Precisamos, em Portugal como em toda a Europa, de uma política de inovação diferente, muito mais ambiciosa e radical - um verdadeiro Restart. O ingrediente dessa política é o da criação de espaço para os novos empreendedores e, em especial, para os mais radicais. Portugal tem de ser um paraíso para esses empreendedores ambiciosos, pois só um surto de novas iniciativas empresariais pode criar novo emprego e abrir novas perspectivas de futuro.



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