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Apenas 38% dos portugueses já compraram produtos recondicionados

Apesar da avaliação positiva de quem já comprou, a falta de informação e de confiança continua a travar a opção de mais consumidores a estes produtos. Homens são os principais clientes, aponta estudo.

15:45
pessoas, Portugal, lisboa, telemoveis, telecomunicações
pessoas, Portugal, lisboa, telemoveis, telecomunicações Bruno Colaço
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Um em cada dez portugueses nunca ouviu falar de produtos recondicionados, diz um inquérito da DECO PROteste que analisou os hábitos, perceções e experiências dos consumidores nacionais face à compra de produtos em segunda mão e recondicionados. A conclusão é de que o mercado, apesar do potencial de crescimento, continua a ser travado por desconhecimento dos consumidores.

Os dados mostram um claro contraste entre o mercado de segunda mão e o de recondicionados – no primeiro, 74% dos inquiridos dizem já ter comprado pelo menos u artigo usado nos últimos 12 meses, enquanto no segundo, apenas 38% dos consumidores admite já ter comprado um produto recondicionado ao longo da vida.

Apesar dos números, o inquérito mostra que, entre aqueles que já experimentaram, a perceção é positiva, com a maioria a revelar satisfação com a compra mais recente e a admitir voltar a optar por recondicionados. Para a DECO, é um sinal que contraria a ideia de que estes bens são menos fiáveis ou de menor qualidade, mas também de que o principal obstáculo está na falta de informação e confiança no momento da decisão. 

De acordo com o estudo, a procura por produtos recondicionados concentra-se sobretudo na área da tecnologia e eletrónica. Os equipamentos de telecomunicações, como smartphones, lideram as preferências, tendo sido comprados por 57% dos consumidores que já adquiriram produtos recondicionados. Seguem-se os computadores, tablets e outros equipamentos tecnológicos (35%), os pequenos eletrodomésticos (22%) e os brinquedos e jogos (20%).

A DECO PROteste lembra que os produtos recondicionados são artigos que, após devolução ou utilização prévia, passam por “processos de inspeção, verificação, reparação e teste por profissionais qualificados”, sendo depois colocados novamente à venda com essa identificação. Desde 2022, estes produtos beneficiam de “três anos de garantia, tal como os produtos novos”, um fator que, apesar de relevante, continua a ser pouco conhecido pelos consumidores.

O perfil de quem compra também evidencia diferenças claras, já que são os homens com menos de 32 anos que surgem como o grupo mais recetivo e representam quase dois terços dos consumidores. No extremo oposto estão as mulheres com mais de 35 anos, que se revelam as menos disponíveis para este tipo de compra, com menos de um quarto a admitir já ter recorrido a produtos recondicionados.

“Os dados evidenciam a necessidade de reforçar a informação e a confiança no mercado de recondicionados”, defende a associação do consumidor, apontando a importância de regras mais claras sobre os processos de reparação, as peças utilizadas e a identificação dos recondicionadores, de forma a garantir “transparência e segurança ao consumidor”.

O estudo foi realizado online em 2025, com 1.047 respostas válidas, junto de residentes em Portugal entre os 18 e os 74 anos, com ponderação por género, idade, região e nível de escolaridade, refletindo as tendências nacionais declaradas pelos inquiridos.

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