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Empresas mantêm aposta na descarbonização apesar da incerteza

Relatório da PwC mostra que a sustentabilidade está a entrar numa fase mais disciplinada, muito focada nos custos e no risco, mas também no crescimento e na resiliência.

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carro elétrico descarbonização
carro elétrico descarbonização
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Tudo indicava que os custos mais elevados, a maior incerteza regulatória, cortes em apoios públicos e a pressão sobre os programas de sustentabilidade podiam levar as organizações a desinvestir na transição. Mas o novo  anual da PwC sobre descarbonização conclui que as empresas não estão a abandonar os seus compromissos climáticos, mas a reformulá-los com maior disciplina financeira.

“O ano passado não pareceu apenas uma tempestade. Foi uma”, escreve a PwC no Third Annual State of Decarbonization Report. Ainda assim, acrescenta a consultora, “não foi isso que aconteceu” quando se esperava um recuo generalizado e muitas empresas “mudaram a forma como falam sobre sustentabilidade, mas não o que fazem em relação a ela”.

A análise, baseada em milhões de dados extraídos de milhares de divulgações empresariais e documentos relacionados, mostra que 82% das empresas mantiveram ou aceleraram o calendário das suas ambições climáticas. A percentagem de empresas que aumentou a ambição climática, 23%, superou a das que a reduziram, 18%. E o progresso também resistiu, com os números a mostrar que 69% estão no caminho certo para cumprir metas de emissões de âmbito 1 e 2, acima dos 67% do ano anterior.

A PwC alerta, contudo, que estes dados não significam que o mundo esteja no caminho certo para cumprir os objetivos climáticos. O que sugerem, sublinha o relatório, é que os esforços de descarbonização das empresas que reportam informação climática são “mais duradouros do que o esperado”. A sustentabilidade, defende a consultora, está a entrar numa nova fase, “definida por disciplina financeira e precisão estratégica”.

Em vez de multiplicarem promessas, as empresas procuram projetos com retorno mais claro, em áreas como a eficiência energética, otimização operacional, redução do consumo de energia e investimentos alinhados com a transição climática.

Depois de anos em que redes mais limpas, certificados renováveis e apoios públicos facilitaram parte da transição, o contexto tornou-se mais exigente na área da energia. A PwC refere que, em 2025, a resiliência energética passou a ser uma prioridade ao nível dos conselhos de administração, num cenário de maior procura, volatilidade de preços e constrangimentos na oferta. Nos EUA e na Europa, os volumes contratados em acordos de compra de energia renovável caíram 19% e o número de negócios recuou 26% em 2025.

Porém, as emissões de âmbito 3, associadas à cadeia de valor, dominam o perfil de emissões da maioria das organizações e continuam a ser mais difíceis de reduzir. Ainda assim, 56% das empresas estão no caminho certo face às trajetórias que definiram. O problema é que muitas continuam a navegar com pouca visibilidade, com o estudo a mostrar que, numa amostra de 158 empresas da Fortune 500, 25% não tinham visibilidade além dos fornecedores de primeiro nível e apenas 18% acompanhavam de forma consistente atividades e emissões para lá desse patamar.

O relatório destaca ainda que as decisões de conceção de produto podem determinar até 80% do impacto ambiental ao longo do ciclo de vida. Produtos com atributos de sustentabilidade diferenciados podem gerar aumentos de receita entre 6% e mais de 25%, dependendo do setor. No retalho e bens de consumo, as empresas mais avançadas na integração da sustentabilidade no desenho de produto registam níveis de rentabilidade 8% a 13% superiores.

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